PRIMEIRA AULA DO FILÓSOFO ROMANOVISKI

PASSAGENS E PENSAMENTOS IMORTAIS

DO PROFESSOR IGOR ROMANOVISKI (Desenho criado pela artista plástica SOLANGE ROCHA, sobrinha do Trigrão)


01-  Ao iniciar os meus estudos de medicina, sem ainda compreender os caprichos da língua portuguesa,  quando o mestre anunciou que íamos estudar a parte cutânea do corpo humano,  julguei que ele se referia a hemorróidas.

02-  Um velório, para mim uma palavra de sentido contraditório. Os visitantes dizem ir ver alguém que partiu.

03-  No socialismo,  a maioria dos bens pertence à sociedade. No capitalismo, às sociedades anônimas.

04-   Num verso do poeta Vicente de Carvalho, lê que “a hora feliz é sempre adiada”. O que, tem levado  o governo brasileiro a usar e abusar na implantação do horário de verão:
                  obrigando-nos a sermos felizes pelo decreto de adiantar uma hora em nossos relógios.

05-   Com o preço astronômico dos cavalos, tudo me leva a crer que estão ausentes na mortadela.

06-   Problema social 1- é quando o faquir morre  de fome de verdade por crise na bilheteria.

Problema Social 2- quando o mágico almoça  o  coelho e   fica sem seu  coadjuvante para o      espetáculo.   
 
07-  Como estudante de biologia, concluí que a maçã é uma fruta inofensiva e saudável. Compõe-se esse fruto injustiçado pela tradição, a cada 100 gramas, de 84,40 g. de água; 14,20 g. de carbono; 8 gr de vitamina C etc, além de importantes sais como potássio(127 mg); fósforo (13 mg.), sódio (11mg); ferro (1  mg ) e cálcio (7,mg). Não entendo porque, segundo aprendi na aula de catecismo, que Adão e Eva foram proibidos justamente de comer maçã.
 





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(r) Igor Romanoviski – Livre pensador, várias vezes preso








VULTOS DA INFÂNCIA


 





Cedo o conheci na vida. Ou melhor, conheci-o quando comecei a conhecer a vida. Na escola da pequena cidade, que diferia da escolinha rural de onde saíra, ainda de calças curtas, para a só obrigação de concluir o antigo Curso Primário.
            Sim, na cidade tudo era diferente, ainda que naquele tempo – década de 1960 – a cidade ainda guardava, nos hábitos de seus moradores, muitos costumes rurais: domicílios com fossas e poços, terrenos cercados sobre os quais respingavam alguns equinos e muares, e até mangueiros de porcos, escondidos nos subúrbios, longe da higiene e da cidade.
            Mas, afinal, qual o luxo que a escola urbana somava sobre aquela de meu cafundó, já então saudoso, da Fazenda Santa Rosa? Ah, sim! Havia no então Grupo Escolar Amador Bueno, quando então cursava o 4º ano (primário), o luxo de um dentista. Não só pelo luxo de contar com um profissional – e dos ótimos entre os quais mais tarde vim a conhecer. 
            O luxo se agregava, de forma ainda mais substantiva, na alma desse que, a esta altura do texto, me coloco a tentar descrever.

Aos primeiros dias de aula, aos quais estranhei bastante  pelo número aumentado de meus colegas, fui chamado pela inspetora de alunos, quando brigava com um probleminha de aritmética. A surpresa da convocação  não teria sido maior se a inspetora, uma senhora espetada num sapato salto alto e entubada numa saia plissada, não tivesse me anunciado de chofre o motivo em me retirar de plena aula: “Dentista.”.
            “Por que justo eu ?“ – pensava comigo, a me perguntar, enquanto meus passos acompanharam de forma automática aquela funcionária, cujo óculos a custo se equilibrava sobre o nariz e ocultava a beleza ou feiura de sua face.
            “E agora? Cadê minha mãe para me acompanhar? Dentista é como médico.Das poucas vezes que fui ao doutor Rafael, lá estava minha mãe ao meu lado. E agora, quem me acompanha? Se ao menos minha avó...Meu diálogo interior se desenvolvia rapidamente, mas não a tempo de ser concluído. Eis que a inspetora me indicou, de modo indiferente, aliás natural, sem as atenuantes que julgava mister e necessária, subestimando minha pouca idade. Não. Ela simplesmente mostrou a porta do consultório e me ordenou que aguardasse. Era uma porta chique para os meus olhos, acostumados com portas mais humildes, dessas que selam casas da zona rural.
            Ali, sentado, eu ouvia o zunido de um motor, que me fez lembrar a moenda de cana da fazenda, apetrecho que meu avô usava como primeira etapa para fazer aguardente de ótima qualidade. Não (nada tinha de moenda), apesar de som bem parecido, aquele aparelho com um bico, manejado pelas mãos do doutor na boca de um coleguinha desconhecido. Aliás, era uma menina. Por se tratar de uma menina, e por sinal de menor estatura da que então eu ostentava, senti vergonha por estar assim com tanto medo...        
Primeiro, que eu  era homem e que e meu avô Manuel Fontes me ensinara, desde sempre que “homem que é homem não chora” – mas que, naquele momento, não estava ali. Pois se ele estivesse comigo eu não estaria a tremer como uma geleia sacudida num prato.
            Por outro lado, era bom ele estar ausente, pois eu sentiria muita vergonha se ele me visse chorar.  Pareceu-me demorada a espera. Mas na realidade, o tempo decorrido se fez mais espesso por conta do meu estado de espírito em inusitada apreensão.
            De vez em quando o dentista me lançava um olhar, em que se reconhecia nele dimanar ondas de bondade e simpatia. Fiquei muito feliz (e orgulhoso) quando ele me chamou pelo nome. Pelo meu nome e me puxou suavemente o ombro, indicando-me a cadeira. Para me assentar e ele iniciar o seu trabalho. Inédito para mim, rotina para ele.
            Daí, uma vez sentado, vi ainda maior a sua estatura em relação aos meus 11 anos de idade, nos idos de 1959. Lembro-me que ele me indagou sobre coisas triviais: “onde você mora? Quem são seus pais?
            E como minha história era um pouco diferente, pois eu viera da zona rural, ele me perguntou sobre fatos da fazenda. Contei-lhe sobre os animais, a saudade que já sentia de meus pais e avós e mesmo das travessuras que fazia lá na roça.
            Feito este preparo (psicológico) me ordenou que abrisse a boca. Agora, não para falar, mas para ele conferir o estado dos meus dentes.
            Senti-me perfeitamente à vontade com o meu já novo amigo, apesar da distância de sua idade e de sua posição social.  Arrisquei uma pergunta, talvez imprópria,mas para uma criança tudo é natural. Ele percebeu a minha curiosidade no ar e desejou me socorrer numa possível dúvida.
- O quê, meu querido, você quer perguntar  para o Dr Rubens (disse apontando para si mesmo).
- Olha, doutor Rubens, eu queria saber uma coisa, sim. E acho que o senhor é a pessoa certa para me esclarecer essa dúvida – concluí meio sem jeito.
- Pode falar, meu filho, disse ele cruzando os braços.
- Doutor....
- Rubens (repetiu-me o nome).
- Sim, Doutor Rubens, meu bisavô, o seu Julião Perez, amigo do Sr. Chico Paloni, tem costume de vender ou barganhar cavalos...
- Ah...(disse ele surpreso) Me conta. Você então tem o seu bisavô vivo?
- Ah, tenho sim – repetir com compreensível orgulho -, e minha bisavó também vive e goza de muito boa saúde.
- Oh, isso é uma bênção. Mas o que você quer saber mesmo, meu filho?
- Ora, sim! O seu Julião, meu bisavô, e todo esse pessoal que negocia cavalos, sempre abrem a boca do animal e, pelas marcas amarelas dos dentes, sabem certinho quantos anos tem o animal. Isso é verdade ou é mentira, doutor Rubens?
Ah, ele riu muito pela pergunta inesperada e, a bem da verdade, inadequada, mas não se mostrou nem um pouco contrafeito. Ria-se, talvez, por ter conseguido me deixar à vontade, quase um  confidente. E saiu-se muito bem:
- Esses homens, coo seu bisavô, o Sr Julião e outros da idade dele, são pessoas que aprenderam  com a sabedoria da Natureza. Eu não sou o profissional indicado  para confirmar ou desmentir, a relação do aspecto dos dentes com a idade de um cavalo. Isso é da competência de um veterinário, que estudou tudo sobre animais. Mas, esteja certo, seu bisavô sabe o que diz e o que faz.
Quebrara-se totalmente a barreira entre o paciente e o doutor Rubens. Uma vez percebida essa condição, ele me perguntou:
- Você nunca foi ao dentista?
- Não, doutor Rubens. Lá na fazenda, a gente, quando o dente amolecia, minha mãe pegava uma linha, dava um puxão, arrancava e jogava em cima da casa para nascer outro.l Foi sempre assim.
Ele sorriu, mais com os olhos, a fim de não me fazer sentir-me desconcertado. 
À sua ordem, abri a boca.  Pelo visto, ele não gostou nada do que viu. Mais ou menos quando meu bisavô Julião, abria a boca de um equino e conferia sua arcada dentária.
E concluiu, com aquela calma que era só dele, Dr Rubens Barbosa Martins :
- Em breve vou te chamar para tratar desses dentinhos. Agora que já somos amigos, tudo vai ser mais fácil...
Eu não sabia que a partir daquele instante, durante momentos difíceis de nossa família, eu obtivera a graça de poder contar com um Amigo, a quem eu podia confiar, não apenas os meus dentes, mas a minha vida. E, mais tarde, como se não bastasse a dimensão dessa bênção, veio de acréscimo, a grata presença da esposa de Dr. Rubens, a imortal e saudosa Dona Elôisa Costa Martins.
          Hoje, pelas mãos de Lúcia Helena e Regina Cláudia,  recebo, com o coração aos pulos, um mimo inesquecível, ilustrado com a foto de meus eternos amigos e protetores : DR RUBENS e  D.ELÔISA. Tudo isto representa bem mais do que em minha vida de roceiro eu pedi a Deus.


Geraldo Generoso – Ipaussu, aos 2 de março de 2012, transcrito de um alfarrábio datado de 21/02/2007.


ROMANOVISKI, O FILÓSOFO

Até que enfim conseguimos convencer o Professor Romanoviski, filósofo armênio radicado no Brasil desde a década de 40, e que irá enriquecer este nosso espaço com sua sabedoria e bom humor.

Romanoviski resultou de uma criação iconográfica da artista plástica Solange Rocha, e por várias edições figurou no Jornal Alto Madeira de Porto Velho (RO). O impagável filósofo Romanoviski, de Rondônia embrenhou-se para a Bolívia e de lá trouxe muitas históras para contar.

Ele já avisou que, o fato de ter assinado um contrato não o obriga a aparecer com regularidade neste espaço. Ele gosta mesmo de dar uma de difícil, mas vamos tratá-lo tão bem, que ele vai acabar aparecendo sempre por aqui. Por hoje ele deixou este recado inaugural:

" Gostei tanto do Brasil que aqui fui ficando e acabei por me tornar um adepto do jeitinho brasileiro. Nunca me casei. Sou solteiro de nascença, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, mas nada tenho contra as mulheres.

 Pelo contrário, tenho tudo a favor, e elas aprenderão aqui algumas boas receitas da comida russa, para mim a melhor do mundo.Afinal, não é para prender marido pela culinária, porque se fosse assim havia muitos maridos morando em restaurantes ..."

EFEITO RETARDADO

 

                   -       Não, seu Antônio! Desista disso!  Esqueça esse  passado! Para que vingança, seu Antônio –                        insistia Paulo desesperado, vendo a inutilidade de seus argumentos face à inapelável             decisão do colega.
-         Ah! Essa é boa! Não foi com você, né? É fácil falar para me esquecer! Eu, hein? Jamais esquecerei a humilhação por que passei! Se não fosse a minha sogra – justamente a minha sogra...
-         Sim, seu Antônio! Eu já ouvi essa sua história. Se não fosse a sua sogra, a família teria passado fome. – Atalhou Paulo com visível impaciência.
-         História  não,  Paulo ! – berrou o amigo! História, não! São fatos, Paulo! Chagas que trago aqui, neste coração humilhado, sofrido e que clama por vingança, Paulo! – disse o amigo aos berros. – Ah! Se não fosse a minha sogra ! Meus filhos teriam morrido de fome! – Suas palavras ecoavam num tom alucinado.
-         Mas não morreram, não, seu Antonio. O importante é que todo esse seu drama já passou. O senhor mesmo sempre me diz que seus filhos estão todos bem de vida – atalhou o interlocutor, mesmo ciente de que palavras pouco valiam para aquela alma atribulada.
-         Paulo, nada de panos quentes! Você sabe muito bem o que aqueles americanos me fizeram! Será que preciso contar-lhe toda a história novamente? – indagou seu Antonio erguendo o indicador em riste por sobre quase o nariz de Paulo.
-         Pelo amor de Deus, seu Antônio. O senhor já me contou essa história um milhão de vezes. Pára com isso, seu Antônio! Deixe dessa besteira, para não se arrepender depois – obtemperava o amigo tentando encontrar uma calma que já não possuía.
-         Não, Paulo! É hoje! É hoje  que vou me vingar daqueles americanos! A bomba está aqui, Paulo. Embaixo da minha cama, Paulo!

Os olhos de seu Antônio fuzilavam em sua munição oculta,  vermelhos de ódio. Um ódio incontido, pronto a explodir na face como a prometida bomba para a qual apontava com os lábios!
-         Seu Antônio! Seu Antônio! Bomba? Logo cedo assim? Ainda não bateu sete horas e o senhor começa o dia com essas velhas  intenções de vingança e morte? – exclamou Paulo indignado.
-         Pois é, Paulo, há aqui uma bomba-relógio! Morreremos, mas nos vingaremos daqueles trustes safados e desalmados! Ah! É isso mesmo, até me disseram que este prédio aqui também é deles, Paulo! É deles! Mas daqui a menos de cinco minutos tudo isto irá pelos ares e se tornará num monturo imprestável. – falava em gestos largos, e em mímica apontava para o chão tentando enfatizar com as mãos o estrago que em breve iria fazer. Para arrematar pisoteava o chão com ímpetos de uma fera.
-         Epa , seu Antônio! Então vamos correr! Quem sabe escapamos dessa sua bomba. Qual o alcance dela? – indagou Paulo com o rosto apalpado pelas mãos e voz quase sumida.

Só restou a Paulo destalar numa carreira em direção à saída. Seu Antônio fez o mesmo, só que a repetir a sua mesma e velha cantiga marcial :
-         É  hoje! é hoje o dia de acertar as contas e mostrar para aqueles gringos  quem sou eu! A justiça tarda, mas não falta!  - Murmurava o idoso subversivo  em frases entrecortadas pelo cansaço daquela maratona compulsória.

           Paulo sabia que seu Antônio  encontrava-se empenhado, nos últimos meses, na confecção de uma bomba. Pelo menos assim  dizia e reiterava  o companheiro, sempre a bater na mesma tecla. O que Paulo não entendia era o fato de ser eleito, justamente ele, como camicase para uma causa duvidosa e alheia. Enquanto caminhavam, já quase sem fôlego, seu Antônio insistia em justificar seu gesto extremado naqueles  presumíveis últimos instantes antes da bomba:
-         Paulo, não é justo o que aprontaram comigo! Dei meu sangue naquela multinacional! Acostumaram-me a uma vida faustosa, cheia de luxo e conforto, gordas diárias em hotéis internacionais! Carro do ano, conta bancária bufando no banco e por aí afora.
-        
Enquanto corriam, quase a pôr os bofes para fora, seu Antônio esforçava-se por se manter bem perto do interlocutor, próximo ao seu ouvido, para que o amigo ouvisse bem a  sua arenga:
           
-         Aí, Paulo, me encostaram como um traste inútil ! Como um lixo, Deus que me perdoe falar. 
O que me restou foi uma mísera pensão que nem dava para comer. Ah – explodiu num grito – se não fosse a minha sogra, meus filhos teriam morrido de fome.

Paulo, não só para se proteger da eventual bomba de seu Antonio,  como para  manter distância de suas palavras desatinadas, deu velocidade às pernas e retomou o fôlego, enquanto o revolucionário repetia as mesmas queixas e bravatas, em passo acelerado tanto quanto.

-         Talvez esta bomba não chegue até aqui – pensou Paulo – numa pausa para restaurar o fôlego. – O jeito é esperar e seja o que Deus quiser...

Haviam corrido bastante. Ambos suavam de bica. Passaram pela horta sem respeitar os canteiros de verduras, levaram no peito algumas estacas dos tomateiros e quase ganhavam a rua, enquanto seu Antonio gritou com as forças restantes de seus pulmões:

-         É agora, Paulo,  que esta espelunca vai pelos ares!

Eis senão quando ambos levam uma séria reprimenda. Ramiro, vindo em direção aos atletas
improvisados, chama-os  em tom áspero, com  inapelável  autoridade;

-         Voltem já para o quarto para tirar o pijama e trocar as roupas.  ! Depois  sigam para o ambulatório e vão tomar os remédios. Após o café podem ir direto para  a Sala de  T.O  .(Terapia Ocupacional).

Não foi dessa vez que o hospício explodiu. Após o café da manhã, seguiram para o imenso salão de Terapia Ocupacional.

Lá,  Antônio, vestido de terno em tecido  inglês e  camisa “ made in USA” ,  dos seus bons tempos de executivo,  continuou entretido na  confecção de  sua bomba  anti-ianques sob o olhar curioso e inconformado  de Paulo.

ZECA VIOLEIRO

Observação: Este texto faz parte do livro HUMOR MORENO, a ser lançado neste mês pela ETE Prof. Pedro Leme Brisolla Sobrinho, Fundação Paula Souza, em Ipaussu.


Na pacata cidadezinha onde nasceu, Zeca era um tipo inconfundível. Alto e magro como um pinheiro, cabeça raspada, barba sempre bem feita. Desde criança o seu sonho era ser violeiro, mas as posses poucas não lhe permitiam comprar o sonhado instrumento. Zeca compensava a falta da viola emitindo lindos ponteados com a boca, numa imitação impecável em notas, tons e acordes.

NÃO ACREDITE EM TUDO QUE LER

O presente texto é espontâneo, não foi precedido em rascunho, e apresento-o ao feitio daquela pergunta do facebook (no que você está pensando agora?). Puxa vida, o volume de informações atualmente está inflado. A tendência é crescer ainda mais. Deus nos acuda. Cruz credo, Ave Maria, Pé de Pato. E se a pessoa, seja telespectador ou internauta ou mesmo simples leitor, precisa de uma advertência - a cada minuto - não acredite em tudo o que ler. Nem mesmo no que ver. Hoje, até mesmo quando vê, o indivíduo precisa ficar de orelha em pé.

ALÉM DO HORIZONTE

Há momentos críticos na vida

Em que o mundo

Parece que vai  desabar!

Mas quando me defronto

Com situações tais,

PRIMEIRA ESPERANÇA

Se a esperança, de ti, fugitiva, algum dia,
As asas debater, vôos de exílio alçando,
Não desesperes, firme, caminhando,
Continue os teus passos pela ardente estria.

SEMENTES DO RELÓGIO ETERNO



Ao coração fala o mundo tão alto

Em tons graves, agudos e crônicos.

Sobre amor-paixão;

Disfarça-se até

Em suaves tons de profunda fé

Numa grande ilusão.

Impõem-se em mil dilemas:

Custo de vida, perigos por terra e mares.

Atualmente até

Em perigos pelos ares.

Mas pede-me

Manter nos homens  minha fé

E, pelo mundo, 

A requerida fascinação.

São mil vozes falantes

A estes apenas dois ouvidos,

A requerer de mim

Sempre, e cada vez mais,

Respostas e atenções sem fim.

Mas ate todo bulício,

Uma Presença silente

Esclarece-me sobre tudo,

Até sobre o mundo gritante

Que murmura sem cessar

Requerendo atenções.

E quando me adentro

À catedral do silêncio íntimo,

Em frestas de luz em cada pensamento,

Abre-se-me a pequena porta,

Tão pequena que mal passo,



Mas além da abertura

Além da Terra escura

Está um jardim no universo.

Neste não saber derivado do não pensar,

Deus me desvela o mundo.

                                                                 





                                                        

.E, num minuto apenas,                                                              

 Insere-me na eternidade.

Ele, que sabe o tempo exato

Do meu despertar,

Tranqüiliza-me a Alma sedenta e aflita

 De voltar para a Casa...

Por mais que ande por confins

O Pai silente

se faz presente

E em todas as palavras

Coloca um fim.



Às vezes os ruídos se entrechocam

Do íntimo ao exterior,

Por amor

ou por ira se deslocam

E desembocam

Ora em espinhos, ora em flor.



Os pensamentos digladiam-se em idéias,

Úteis algumas, vãs a maioria,

Mas, às vezes, transcendem a teodicéia,

E vão ainda além da teologia.
Nas asas do silêncio a alma voa,
Sabe que o Bem é para quem perdoa,
Sabe que o Amor é para quem o dá...
Assim posto ao Supremo, frente a frente       

Cada minuto do relógio é uma semente   

Que de eternidade reflorescerá.




ALGUÉM MUITO ESPECIAL

Por onde quer que se ande pela terra,

Vemos  a cada palmo, a cada instante,

A paz ausente e, no furor da guerra,

A dor da Terra com os seus viventes !

LEGÍTIMA CARÊNCIA

Maldizemos, às vezes,

esta fome de mundo que nos assola,

esta ânsia pelo nada que se evola

de esperanças vãs e estúpidas !
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