O VAI E VEM DA NATUREZA


 Vista do Entardecer no Lago Municipal de Ipaussu - foto mundialmente conhecida tirada pelas lentes do artesão da luz: Vitório Paiva Maistro - diretor do Jornal O COMETA




*Geraldo Generoso


Certo dia o poeta pendurou a lira e o cantor silenciou a voz; o sábio emudeceu a pena; o rico desprezou o dinheiro – que lhe negou a felicidade –  e o pobre não se importou com a própria escassez, sempre tão preocupante.

            Por que o poeta deixou os versos por fazer, e o cantor, sua música por cantar? Por que o sábio enclausurou-se e todos se anonimizaram, diluindo o toque da individualidade?

            Simplesmente porque o poeta sentiu não ser poeta, e o cantor se deu conta de que seu canto não encantava. O rico não se sentiu abastado nem o pobre se julgou em condição de carência.

            Sim! A poesia dos pássaros, transfeita em canto, envergonhou ao poeta e ao cantor. O vento a farfalhar nas folhas executou sinfonias inimitáveis no teclado estrelado da noite.

            O rico sentiu a inutilidade do amealhar contínuo, ao constatar que a Natureza nada guarda para si mesma. O opulento contemplou o rio caudaloso a serpear pelas margens a fertilizar os campos, a emprestar ao céu os vapores de sua água para a chuva sobre bons e maus. Ainda constatou o homem rico a árvore frondosa pender-se de frutos e a esparzir sombra e aromas, e a doar de seu tronco a madeira para um berço ou um esquife, tudo de forma natural e anônima.

            O pobre interrompeu a colheita pressurosa e viu que o Universo era rico e ele próprio era o universo.

            O sábio, não por desaponto nem por despeito, recolheu-se ao íntimo e descobriu a verdadeira sabedoria. Pôs de lado os livros e contemplou as abelhas construtoras ocupadas  numa colmeia; as formigas no afã de fundar e manter um formigueiro. A semente muda a erguer-se do solo pelos braços da luz do sol.

            O sábio pensou e até se sentiu mais útil. Em vez de procurar entender os átomos pelos olhos da ciência, passou a conhecê-los pelas lentes do amor. Declamou  os versos do poeta e cantou as canções do cantor no palácio do rico e na choupana do pobre. Assim o eterno dia continuou....

            As nuvens devolveram ao rio a água, em forma de chuva que este lhe confiara em forma gasosa. As plantas perfiladas às suas margens também sorriram em verde agradecido. Assim seguiu o rio por entre árvores frutíferas e figueiras bravas, de forma impessoal, na certeza da continuidade natural da vida. Ciente de que “no Universo de Deus nenhum gesto fica sem paga.”, como disse Emerson.




*escritor e jornalista –

OS PIONEIROS ALEMÃES


Nota: Este poema tem um tom épico, considero-o extenso, mas retrata a imigração alemã para o Brasil. Mormente nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, há fortes indícios da colonização germânica. Um Brasil diferente, mais cultivador das tradições e também mais cultuadores dos valores da tradição. Este blog  - alfarrábios do generoso - depois de leitores brasileiros, conta com grande número de leitores alemães, e isto me deixa muito feliz e até orgulhoso. Esta, pois, é uma homenagem aos germânicos, de quem se diz serem perfeccionistas e de grande energia em seus empreendimentos. Parabéns ao povo irmão e viva a Alemanha, celeiro de tantos homens sábios, ilustres e empreendedores.


Entendemos por que a Germânia  amada

Houveram por deixar, os imigrantes

Alemães ao Brasil, em debandada;

Antes de partir, por certo, antes

Doeu-lhes o pensar na retirada

Rumo a terras e mares tão distantes!

Mas o solo era pouco e grande estava

A crise que então lá se passava.





Lavrador alemão com terra escassa,

Mesmo que o clima lhe fosse a favor,

Malgrado todo esforço e raça

Resultados não havia no labor,

Senão a penúria que humilha e espicaça

A quem derrama no trabalho o suor.

Só restou a opção de outro país buscar

E em outro mundo viver e prosperar.





Campo e cidade em situação igual:

Sem o que fazer, lavrador e artesão,

Porque a Revolução Industrial

Pôs à margem o alfaiate e o tecelão,

Mudando assim a condição social

Para uma ainda por condição:

Desemprego no campo e na cidade,

Na forçosa e mais dura ociosidade.





Só restava sonhar com o Novo Mundo,

Onde o Brasil já era emancipado,

Onde a terra abundava e o chão fecundo

Era pronto a dar frutos, se plantado,

Mesmo ante a saudade a doer fundo

Só restava deixar o solo amado.

Desafiando a distância e a tempestade

À brava alma alemã deter, quem há de?





Expulsa do Brasil a tropa portuguesa,

No ano vinte e três de mil e oitocentos,

Com D.Pedro esposado à arquiduquesa

D’Áustria, Leopoldina, ouviu intentos,

Da então  imperatriz quanto à defesa

Em soldados trazer aos  regimentos.

Indicou a Alemanha como fonte

De imigração abrindo-se o horizonte.



O Brasil foi buscar o braço forte

E o peito varonil, sempre valente

Do alemão que desafiando a morte

E é duro no trabalho e persistente,

Trouxe a bordo soldados de alto porte

E braços à lavoura incipiente.

Nova Friburgo abriu-se ao alemão

Que trouxe ao Brasil trabalho e proteção.



Ao Major Shaefer cabe referência

E a Nação brasileira é agradecida

Pela organização e competência

Para com a imigração então  havida

                                           Ao Brasil, em sua ainda inflorescência,

Da Alemanha a nos trazer vida.

Chegou aqui  sã e salva a brava gente

Alemã que aqui se fez presente.



A bordo do Argus no dia vinte e sete

De julho do ano de vinte e três

Do século dezenove se arremete

Ao mar com a conhecida altivez.

Com dura tempestade então compete,

Atracando em Texel, porto holandês

Faz pausa para a viagem ir avante

Pois o alemão só sabe é ir  pra diante.



Em setembro, a dez, prossegue a nau,

Mas em Wight, na Holanda ainda

Obriga-se ao refúgio a um vendaval

Porém a garra alemã jamais se finda,

Depois de quinze dias no local

Segue o veleiro e outras águas deslinda,

Vem outro furacão que ao mar desmaia

E os alemães ancoram em Biscaia.

De Tenerife,  em novembro,  saiu

Para no outro ano atracar no Rio.

REFAZIMENTO DIÁRIO

S E N H O R
o sol do dia que se foi
Esfarelou-se em estrelas,
Para o alto subiu, perto de Vós,
Na abóbada infinita.
Mas, amanhã, pela manhã,
Vossas mãos pacientemente
Juntam uma a uma
Essas lascas de luz
E refaz o sol de um novo dia.
Trarás de volta ao mundo
Toda a claridade ausente
Que na noite se  dissolveu
Em faíscas de astros.

Iluminarás de novo a Terra
Com Vosso lume acostumado...
E como isto acontece tão naturalmente,
Poucos de nós percebemos
A dimensão do Teu milagre.
Reinando sobre os campos siderais.
Quem aqui chegou, a este horto,
De algum lugar provém,
Chega a este porto pelas mãos de alguém,
Mas Quem o mandou,
Não o sabe ninguém!

Ao aqui cair
Sem poder se explicar,
Ou até mesmo por não saber,
Vê o corpo florir
E maturar
Para um dia regressar

E a vida em plenitude usufruir.

REMÉDIO ERRADO



REMÉDIO ERRADO


Este fato aconteceu na cidade de Ipaussu dos anos 60. Um viúvo, já bem idoso, propôs casamento com uma também viúva ainda no frescor da faixa etária dos 60. Embora o casal fosse do costume de sexo somente após o casamento, ambos resolveram adaptar-se aos tempos modernos. Assim foi que, antes de firmado qualquer compromisso, por mútuo consenso agendaram uma noite num motel recém-inaugurado no município.

 

            O velhote, na condição de noivo, houve por bem prevenir-se para o ansiado encontro. Ele – chamemo-lo de João, foi até a farmácia de Zé Vicente, lá encontrando o farmacêutico ocupado no atendimento a algumas senhoras pudicas e muito vergonhosas.. Comunicando-se em código, disse João:

                Vicente, você que entende bastante de carro, poderia me sugerir alguma coisa para o câmbio do meu chevrolet. Ele está fraco e sofre muito na subida. Não está engatando nem a primeira.

Em rápida sacada, Vicente depôs nas mãos do velhote 2 comprimidos soltos, dizendo-lhe:
            - Duas horas antes de ligar o carro para engatar o câmbio jogue este casal de comprimidos dentro do tanque. É tiro e queda.
             João partiu dali esperançoso. Duas horas antes de rumar para o local escolhido ingeriu os dois comprimidos. Mal saiu à estrada com a noiva ao lado, foi acometido de forte dor de barriga. A contragosto parou, por sorte perto de um canavial, e aliviou plenamente os intestinos.

            Ao entrar no estabelecimento, com privacidade a toda prova, girou a chave no tambor da fechadura. Nada! E a barriga cochando, cochando cada vez mais...                                                                                        

            E a chave nada de abrir a porta. Até que abriu-a, por muita sorte, e em seu trajeto para o banheiro foi surpreendido por uma avalanche que lhe desceu pela cueca de forma inopinada e abundante.                                                                                              

 O que lhe restou fazer foi entrar sob o chuveiro, lavar a roupa e, na espera da secagem, curtir o vexame inesperado. Apesar do tempo transcorrido para que a roupa secasse, nada aconteceu entre ele e sua amada  Juventina.                                                 

Praguejando,  inconformado, foi para casa, trocou de roupa e rumou direto para a farmácia do Zé Vicente para lhe dar conta do acontecido. Ou melhor, do não acontecido. O boticário, mais uma vez, ocupava-se no atendimento de algumas freguesas santarronas e puritanas, impedindo um diálogo mais aberto.
João apenas balbuciou:
               “Vicente, eu não sei porque mas o carro deu vazamento por trás.                              
                 Vicente, com uma piscadela maliciosa arrematou:                 
               -João, eu sei o que aconteceu. O seu câmbio ficou tão rijo que estourou o seu escapamento.



EFEITO COLATERAL

A
li pelas bandas de Timburi, num sítio próximo à cidade, havia um curador de nome Capixaba. Conhecido em toda aquela redondeza, tinha-se  esse ancião, de raça negra como feiticeiro dos mais temidos.
             Lá pelos idos de 1930 ele já era famoso e por isso sempre assediado por gente de todas as classes.
            Certa tarde apareceu em sua casa, um velhote de olhar meio acanhado e mantinha-se relutante em falar com o “Nego Véio” Capixaba. Como havia acontecido um temporal  na noite anterior, a sala onde o curador atendia se encontrava em reparos por ter-se destelhado.
            Daí que a clientela passou a ser atendida na sala da frente mesmo, onde já se haviam  repostas as telhas. Então o consultório ficou separado do que era a sala-de-espera por um simples cobertor servindo de cortina. Esse cliente mais arisco, de quem falamos, ia sempre deixando a sua vez e adiando ser atendido, na esperança de ser o último e contar seu segredo para o curandeiro.
            Com a freguesia  cada vez aumentando mais, o secretário e bisneto de Capixaba – o Neguitinho – vendo que aquele senhor sempre dava deixa para outras pessoas passarem à sua frente, acercou-se dele dizendo-lhe:
Pode entrar seu...
            Ardevino é o meu nome. Mas eu prefiro esperar mais e dar vez a outros.
            - O senhor já esperou muito – disse Neguinho sem pestanejar, ainda mais que era freguês novo – O biso falou para o senhor entrar.
Seu Ardevino,  entrou meio ressabiado a princípio mas Nego Véio logo o deixou a vontade e ele soltou a língua.
            - Zinfiio pode falá o começo que Nego Véio Capixaba destrincha o resto pra Zinfiio ficá formoso
            - Sabe? Pai Capixaba, eu fiquei viúvo e a vida pra mim está muito difícil.
            - Nego Véio ta entendeno o Zinfiio. Mais Nego Véio sabe que Zinfiio num qué só rabo de saia pa fazê a bóia e lavá os trem. Zinfiio qué mais. É ou num é ? Já apareceu uma tar pa zinfiio e zinfiio ta pensando no causo.
            - É, Pai Capixaba. Eu fico meio encabulado e to com medo de na hora...
            - Zinfiio tem medo de negá fora na hora do pega. Hó! Hó ! Hó ! Isso é bobage sua, Zinfiio. Pai Capixaba tem aqui uma porva (pólvora) que a espingarda vira um canhão.
            - Ô, Pai Capixaba ! Acho que eu preciso mesmo é uma pólvora dessa.

Nego Véio abriu a cortina e chamou pelo auxiliar Neguitinho.
            - Neguitinho, pega lá um vidro do Remédio número 4 e traga aqui pro home. Zinfiio vai tomá de 4 em 4 horas. E aminhã zinfiio já pode sair pra dá seus tiro. É tiro e queda!       Ardevino saiu com outros ares nas feições. Montou em seu cavalo e saiu a galope estrada à fora. Assim que chegou em sua casa ingeriu a poção milagrosa e na madrugada reforçou as doses, fazendo o mesmo no dia seguinte.
            Feito isto, rumou para a casa de Leriana para tirar a prova da eficácia da “pólvora”do pretensamente infalível Preto Velho.
            Mal Seu Ardevino passou a primeira porteira e a barriga começou roncar e cochar. Desceu do cavalo, aliviou-se e, agora mais leve, partiu no mesmo passo. Mas não foi muito longe.      Logo na volta da paineira a coisa pegou de novo. Desceu do cavalo e fez o mesmo que anteriormente. E assim foi, sucessivamente, pelos cinco quilômetros, parando a cada 500 metros para aliviar os intestinos.Chegou à casa e bateu à porta de Leriana. Suas pernas estavam bambas por completo, e por não ter mais o que sair das tripas, exausto, prostrado, foi direto para a cama e em menos de cinco minutos estava dormindo e roncando a sono solto. No dia seguinte Leriana apenas lhe ofereceu um café com broa de milho e concluiu que era melhor parar por ali mesmo aquele arremedo de noivado. Dali mesmo Seu Ardevino rumou para o sítio do Capixaba. Em lá chegando foi atendido de imediato:- Zinfiio parece que ta meio prejudicado...A espingarda do zinfiio matô arguma capivara. Hó! Hó , Hó!                                                                                              - É por isso que eu vim aqui, Pai Capixaba. Fui atacado de uma diarréia tão forte que quase morri de tanto obrar. Acho que foi o remédio que o senhor me deu.Nego Véio coçou a cabeça e disse:                                                                                                         -  Xi, Neguitinho. Ocê se inganô e deu o número 9. Esse é do mais forte pra essas coisas. A carga desse número 9 é tão danada que o tiro da espingarda de zinfiio saiu pela culatra. E o tar do efeito culatrerar.





AVISO AOS NAVEGANTES



AVISO AOS NAVEGANTES

O

 Boteco do Pereira  até que é bem surtido. Razoável variedade de caninhas sobre a pequena prateleira com a ação dos cupins à mostra. O balcão, esfolado como sola de sapato de muito uso, religiosamente com dois dedos de poeira a encobrir os estragos do tempo, acomoda baleiros recauchutados com durex e tampas remendadas com cola haraldite. Na hora de abrir o “estabelecimento”é preciso esperar pela chegada de algum freguês para ajudar segurar um lado da porta, enquanto a mesma é empurrada para dentro para dar o encaixe da chave. Função esta que igualmente cabe ao último freqüentador (normalmente um bêbado ) na hora de fechar a espelunca. As vitrines de vidros partidos, foscos pela sujeira e pela idade, a custo permitem divisar uma Maria-mole ou um pé-de-moleque em seu habitat, mais com função de esconder do que de expor os produtos. Finalmente, a caixa registradora, feita à mão, de tantos maus tratos traz o tampo quebrado e. para não destoar do cenário, também está esfolada, soltando fiapos de madeira e expondo nós sucessivos em sua contextura.

Assim é O Boteco do Pereira, conforme uma pichação estrategicamente colocada em letras vermelhas sobre fundo amarelo-sujo na parte superior do batente da porta, melindrosa para abrir e fechar, mas, quando aberta, sempre de coração amplo para receber a fiel freguesia.

Bem lá no fundo, entre velharias sem uso, em posição visualmente estratégica, estes dizeres vazados em letras garranchais:

A inveja mata...

DUELO DE ESPECIALISTAS

COMO NASCEU O HUMOR

Se nada restar de interessante no que eu deixar escrito, que pelo menos reste um sorriso, e, melhor ainda, aquelas gargalhadas de espantar pigarro, que fazem tanto bem aos seres humanos. Pela minha quilometragem vivida, conheci vários tons do humor de acordo com as épocas. Temo que o humor, com o tempo, pelo que estou vendo, acabe perdendo a graça.

Geralmente, ainda há pouco tempo, permanecia uma regra aos fazedores de humor, que era focalizar o que fugia do comum, e o incomum é sempre minoria, que hoje - não faço juízo de valor sobre essa postura legal - tem o resguardo da lei, proibindo que se faça chacota de indivíduos de uma classe específica. Pode até dar cadeia e a piada perder a graça.

Sou uma pessoa dotada de muita imaginação, e gosto de deduzir e intuir sobre como surgiu o primeiro humorista entre os homens primitivos. Confesso que quebrei o piolho pensando nisso. Perdi noites de sono tentando ir em sonhos a esse mundo onde tudo estava começando. Por certo, como o senso de humor é um predicado humano, as próprias pessoas procuram algo em que achar graça.

Possivelmente, ainda na era arbícula, em que os homens tinham o ato de trepar em árvores como uma rotina, é de se imaginar que quando um desses primitivos trepadores se despencava de um galho, os demais se debulhavam de rir. Mesmo que tombo de árvore fosse algo corriqueiro, nem por isso deixava de ser engraçado.

Por conta da absoluta inconsciência, certamente riam daqueles que coxeavam, porque era algo que fugia da normalidade. Por mais que tentassem entender, não entendiam que aquela pessoa não  manquitolava  por querer, mas  por força de uma deficiência, nata ou adquirida. Porque eles se achavam totalmente iguais.

A essa altura, ainda não sabiam falar. Só emitiam sons que, até hoje,  não se sabe a que finalidade se prestavam tais grunhidos. Obviamente, quando entre eles havia algum de voz fanhosa, eles achavam aquilo engraçado e até provocavam o fanho para que ele emitisse o som que os levava ao riso. E quando um de nossos milenares avós houveram por imitar a voz desse personagem, o humor já se tornou representativo e fez os seus efeitos nos que participavam do grupo.

É uma história (ou pré-história) muito longa, mas não posso deixar de observar (voltarei ao assunto futuramente) quando o primeiro homem (mais possivelmente a primeira mulher) - na época que até então todos andavam completamente nus, resolveu cobrir as partes pudendas. Talvez com uma pena, vamos supor, pois a esse tempo é de se acreditar que não havia o cultivo da vinha. Isso vem depois e é outra história.

Bom, acho que, em resumo, o humor surgiu na espécie humana antes mesmo que ele aprendesse a falar. Quando aprendeu a arte da fala, aí certamente os recursos para o humor aumentaram em muito. Surgiram os primeiros mentirosos, os primeiros imitadores da fala dos outros, sem contar que, ainda no terreno da tradição oral, nasceram as piadas e relatos de coisas engraçadas.

Certamente, o humor faz bem à vida. Não sei se sem ele o homem teria atingido tantos milênios, rindo ou chorando, vamos achar graça em alguma coisa ou situação. Quem procura, acha. Tomara que você encontre o José Simão na Folha de S.Paulo.

EDUCAÇÃO ACIMA DE TUDO ?

* Geraldo Generoso
Ninguém, em sã consciência, pode subestimar o valor da educação. Essa postura faz parte de um consenso firmado há milênios, desde tempos anteriores a Cristo em Israel. A tal ponto o povo israelita priorizava a educação que não fazia restrição em desativar uma sinagoga para transformá-la em  uma escola.

            No entanto, ao correr do tempo, as circunstâncias passadas e mormente as  presentes – justificam um questionamento a tão delicada questão, quase um tabu.

            Para melhor situar a questão no tempo e no espaço, tendo em conta as várias nuances que abarcam o tema  – temos observado que educação não faz milagres nem serve de passaporte, na quase  totalidade das vezes, a uma melhoria  real do ser humano.

            Detenhamo-nos, por um só instante,  sobre estes momentos  angustiosos da atualidade brasileira e mundial.   Quantos e quantos – aliás todos eles – dentre os envolvidos nos escândalos, que aí estão para se escolher:  mensalão, correios,  mensalinhos e no momento os desvios no Ministério dos Transportes – são todos educados com  diplomas reconhecidos.

Engravatados, civilizados à exaustão, alguns com pós-graduação no exterior, aí pululam soltos e saltitantes, entre eles até quem ouse a  a se candidatar a uma vaga para o Congresso, onde continuará como personagem de outros dramas, tristes e vergonhosos para a Nação brasileira.

            Educação, portanto, na acepção específica do termo, pelo visto, deve ir mais longe em seu significado. Deve ir além de munir o educando com conhecimentos, que até servem para refinar a ambição e permitir a  indivíduos desqualificados  ética e moralmente a galgar posições onde possam, mais ainda, ir em prejuízo do bem comum.

            A educação precisa voltar-se para a Espiritualidade, em seu sentido vertical e não apenas na cidadania ciosa de direitos explícitos sem a contrapartida dos deveres morais e sociais de cada indivíduo.

            Todos esses saqueadores dos cofres públicos, vampiros do suor e sangue do povo brasileiro, sem exceção, são indivíduos plenamente educados

            Educação requer disciplina, hoje relegada a último plano, do maternal à faculdade. É preciso educar as consciências, como veículos do Espírito, sem confundir acúmulo de conhecimentos com dignidade, títulos,  com honra e saber,  com vergonha.

            O que justifica a posse de conhecimentos é o seu emprego positivo e constante em favor dos demais seres humanos, pois ninguém se educa para viver para si mesmo e para a própria família.

            Os grandes filósofos da humanidade, tais como Sócrates, Platão, Aristóteles e outros tantos, sempre mantiveram suas vidas pautadas pela ética como condição para passarem à história na condição de sábios. Sem o caráter que demonstraram em suas vidas, todo o conhecimento de que foram dotados se constituiria em mera petulância ou vã intelectualidade, sem qualquer respeito a inspirar as gerações que os sucederam.

            Os lares, infelizmente, estão carentes de bons exemplos por falta de tempo dos pais para orientar seus filhos no rumo da verdadeira educação. As Escolas, por melhor que  sejam, jamais substituirão a família na sua arte instintiva de educar.

            A maioria das  igrejas, infelizmente, algumas ciosas mais dos dízimos que recebem pelos milagres realizados por Deus do que pela verdadeira espiritualidade, capaz de fazer grandes homens, também não preenchem com plenitude esse requisito indispensável de forjar caracteres nobres para uma Nação realmente justa, ordeira e progressista.

 * Escritor e jornalista - Ipaussu - SP - Brasil



        PAPINHO DO FILÓSOFO ROMANOVISKI 1-

        Óia eu aqui travêis !


        Não faz meu gênero falar sobre minha própria pessoa. Estou cansado de saber que essa gente que fala somente sobre si mesma acaba por ter poucos amigos. Até não é o caso de ser importante ter amigos em grande número, porque a vida nos leva por lugares e situações onde os amigos, por mais amigos que sejam,  não podem nos acompanhar.


        Por exemplo, você não pode levar um amigo para a sua noite de núpcias. A menos que...bom, deixa pra lá. Das vezes que você vai a um banheiro - seja para tomar banho ou atender a outras necessidades - algumas bastante urgentes e nem sempre agradáveis -, o costume é não ser acompanhado por ninguém, e este detalhe me poupa de maiores explicações.

        Meu contratante,  contudo, mandou-me falar um pouco sobre mim mesmo. Como não há ninguém para fazer isso em meu lugar (hoje estou com uma preguiça danada), vou ter que me apresentar a vocês, ainda que em dados resumidos, pois gosto de ser curto e grosso.

        Nasci na Armênia, parte da Rússia, e vivi bons tempos em algumas cidades daquele maravilhoso país. Apesar dos pesares, em que o frio é intenso, como na Sibéria, há muito calor humano. Claro que aqui começo a ser suspeito, porque, em síntese, sou um russo. Não que seja bairrista, pois isso ofenderia a sensibilidade dos (as) leitores (as) e, nada mais estaria fazendo do que impor opinões. Atitude que nunca pratiquei e abomino, pois sou brincalhão, mas respeito o ouvido do próximo, como uma máxima fundamental de vida.

        Bom. O ano exato em que nasci eu não menciono. Uns vão me achar muito velho, e outros, como o meu admirado ídolo, o arquiteto  Oscar Niemayer (103 anos e cacetada)  vai achar que sou muito criança. Nunca me casei. Não por ser contra o casamento ( e que diferença faria eu  ser a favor ou contra, quando as pessoas querem se casar ou descasar?) .


        Algumas leitoras queriam saber sobre a minha religião. Não menciono nada sobre isso. Também não é o caso de dizer que sou ateu, porque ninguém na verdade se pode dizer que não crê em nada. Em alguma coisa, todo homem e toda mulher, fatalmente acredita. Minha personalidade é mais voltada para a ciência em todas as suas modalidades. Melhor dizendo, sou um crente na Natureza e a admiro como a parte visível de tudo o que é invisível e misterioso. Vejo milagres nela a todo momento.


        Ah! em tempo, só porque vivi na Rússia, não vá me tomando como um comunista. Não me apego a nenhuma doutrina política e também não deixo de cutucar os liberais. Nunca me esqueço que o liberalismo (que prega a ausência do Estado) chegou a aventar,  na Inglaterra, a hipótese de fazer com que as pessoas (os outros, lógico) aprendessem a não comer.

         E aí eu pergunto: se esse absurdo acontecesse, com as massas treinadas para um jejum compusório e permanente, como eles ganhariam dinheiro se, uma vez vencida a fome, que é um pilar fundamental da economia, os ricos ( que certamente teriam que produzir esse luxo para consumirem) teriam lucros com essa medida louca e extrema de gerenciamento público? E se as massas não comessem, seria também difícil que elas se dispusessem a trabalhar...

        Mas há na Rússia, de ontem e de hoje, hove e há  coisas e pessoas e paisagens  fascinantes. Vou trazer para vocês, não prometo quando, porque tenho viajado muito e não gosto de computador -  escrevo tudo a mão - alguns poemas do grande Vladimir Maiakovski.

         Assim como há pessoas que tem veneração pelos santos, eu tenho veneração pelos grandes escritores. Principalmente pelos poetas. Maiakovski está entre os maiores do mundo. Ele era um sujeito teimoso na arte que empreendia. Chegava a revisar mais de 60 vezes um texto, a fim de fazê-lo o mais claro possível, além de trabalhar a sonoridade (eufonia) do poema ao máximo.

        Amigos e amigas, eu já começo a ficar com preguiça e se me der dor nos quartos não vou conseguir dormir. Tenho muitos pensamentos para lhes passar, e passarei a vocês na medida do possível. Estou feliz em estar aqui com vocês e espero que nosso contato seja frequente e duradouro.

        Uma última observação que aqui quero deixar, embora não queira fazer a cabeça de ninguém ( o máximo que posso fazer é o cabelo, porque também sou barbeiro) é que, o quanto possível, vocês amem a vida, a alegria, o bom humor.

        Não porque da vida nada se leva, porque depois de morto não faz diferença levar ou deixar de  levar, dá tudo na mesma coisa. O importante é levar a vida. Você não pode levar os amigos (amigas) a toda parte que você for, como mencionei logo no início deste nosso papo.

        Mas você pode levar amizade aonde quer que você esteja. Receba a minha amizade. Reconheço que sou sistemático. Não sei se é defeito ou virtude. Gosto muito de animais. Tenho um cachorro que me acompanha. Um tipo de amigo que posso levar por onde eu for. Mas, no fundo mesmo, de verdade, eu gosto, acima de tudo, é do ser humano. Fica para uma próxima ocasião meu comentário como o mundo certamente foi muito sem-graça na época dos dinossauros. Me esperem. Promeoto voltar e, quando isto acontecer, encontrar a todos os meus internautas felizes e levando a vida numa boa.
        


        AS EXCELÊNCIAS DO AMAR

                                Como vestir o amor com palavras, se não há palavra para  nomeá-lo em devida conta ?

                    Desde evos tempos que os poetas tentam defini-lo  em verso e prosa. Editam e reeditam poemas e canções. Mas sempre restará o que dizer e o que cantar sobre essa magia com sabor de eternidade.

                    Jamais se esgota  do estro essa fonte perene que liga uma geração à outra . Que  serpeia pelos séculos a imprimir um sentido à vida de cada mortal sobre a face da Terra.

                    Desafiando os costumes,  afronta a modernidade com  seu antigo milagre de um estranho sentimento de incompletude.Quando amamos, a vida se reveste de um sentido pleno. Nosso senso de incompletude é uma compulsão à  busca de um complemento imprescindível. De um acréscimo ao próprio Eu,que sem esse esse acrescentamento sente o coração pulsar em vão.

                    Como desnudar o mistério do amor na ebulição de suas queixas, ou no quieto acalanto de um sonho do qual somente cada um escuta no  próprio peito ?

                    Quando se ama, se vive. Amar é encontrar no âmago de si mesmo a essência do núcleo de seu próprio ser.

                    A pessoa amada, dizem alguns, é sempre ilusão de ótica aos olhos do amante. Mas o que é real na vida senão aquilo que cada um sente de real para si mesmo. A musa é o encanto do poeta . Mesmo no silêncio ela preenche-lhe  a pauta da solidão com notas de esperança .

                    Quem ama  voeja sobre os rochedos  como ave de longo vôo, sem temer a vertigem das alturas.. Ignora a incerteza, sem importar em ser ou não correspondido(a).

                    É  que para o amante não existe o não porque existe o amanhã da própria eternidade de seu amor.

                    A teconologia inventa e reinventa  comodidades . Semeia o progresso de modo vertiginoso e assustador. No entanto,  jamais logrará criar  um sucedâneo a esse encantado sentimento que desafia o tempo e as condições .

                    Amar é crer e caminhar sempre ao compasso do próprio coração.A musa de um poeta se traduz no seu leme vital. Ela resume a sua razão de ser e de viver. Entre todas as mais ela é diferente em corpo e alma , por isso complementa o sentido da própria individualidade do amante.

                    Amar não ocorre por acaso . Amar é contagiante. Se o grito de seu querer realmente exsudar amor, a  pessoa amada há de ouvir inapelavelmente. Resulta daí, do amor verdadeiro, uma força que excede o próprio entendimento  porque se situa além, muito além da própria inteligência humana.

                    Nenhum coração  possui o amor. Mas, sim ,é o amor   quem o possui  por inteiro quando de fato é pra valer. O coração quase nunca tem razão, mas quando ama sempre tem certeza.

        O amor  revela-se tão sublime que sua própria dor distila o aroma da mais bela palavra de nosso idioma : Saudade.

        COMPREENSÃO PARA COM OS LIMITES PESSOAIS

        A Natureza é feita de limites. Assim também ocorre com cada ser humano. Entre as criaturas, vez ou outra, surgem avaliações precipitadas por falta de compreensão de pontos básicos que mesmo na matéria se manifestam.

        Se melhor ponderássemos nossas opiniões, nos manteríamos mais econômicos nos julgamentos.Cada pessoa, mesmo as superdotadas, possuem limites. Da mesma forma  acontece com os materiais – onde a  ciência especializada nesse assunto – Estudo da Resistência – os seres humanos também apresentam essa mesma propriedade.



        Por exemplo, o tungstênio é usado no filamento da lâmpada (hoje até antiquadas, mas válidas como exemplo) devido à sua elevada temperatura de fusão (cerca de 3410° C). Dessa forma, o filamento não se funde com a passagem da corrente elétrica. Mas nem por isso esse material  poderia se considerar superior aos demais, pois essa é a sua propriedade pela sua própria constituição.

        Na vida ocorre o mesmo. Somos apressados em julgar, este ou aquele companheiro de jornada,  como indolente, preguiçoso, curto de inteligência ou habilidade. O  mais certo seria entender que são esses os seus limites e como tal devem ser respeitados.

        Uma outra questão muito comum de injustiça, às vezes mesmo partindo de médico para paciente, é julgar as enfermidades descritas por uma pessoa como sendo coisas da imaginação.

         No atual estágio da ciência médica, pouca razão sobraria para se tachar alguém de hipocondríaco. Jamais um indivíduo irá reclamar de dor ou sintomas desconfortáveis se realmente estiver bem. Pessoas há que são mais duras, outras menos, mas todo este conjunto forma a misteriosa tessitura da humanidade.

        Do ponto de vista tecnológico, a dureza e a densidade dos materiais também são propriedades importantes. O ferro e o alumínio são classificados como metais duros. O magnésio, o alumínio e o titânio são considerados metais pouco densos (inferior a 5 g/cm3).

        O mesmo ocorre entre os corações e mentes humanas, com seus limites e potencialidades, mas, inegavelmente, cada qual com a sua serventia no seio do Universo.

        Voltando à comparação, diz-se  que o titânio é o metal do futuro. Na construção de aviões supersônicos, ele é o metal que oferece as maiores vantagens. Uma delas é a sua temperatura de fusão (cerca de 1670° C) que o coloca em posição favorável se comparado, por exemplo, ao alumínio, cuja temperatura de fusão (cerca de 660° C) é relativamente baixa. Se este tipo de avião fosse construído com alumínio,  a possibilidade de algumas partes entrarem em fusão seria muito maior.

        Apesar da nobreza do titânio, o mundo não poderia resumir-se num só elemento. Apesar da fortaleza de certas pessoas, da nobreza de outras, do magnetismo pessoal de algumas poucas, a humanidade não faria sentido e se empobreceria em sua variedade e finalidade se as coisas se reduzissem a um denominador comum otimizado ao extremo.

        Bem disse o Mestre Jesus: “De maneira nenhuma julgueis o teu próximo. Cada qual tem seus limites em função da resistência que cada qual recebeu de Deus através da Natureza. O melhor do conhecimento é que ele nos dispensa da bondade para entendermos os demais, sendo mais que o bastante a compreensão dos fatos e pessoas,  reduzidos de forma crua às suas reais dimensões.

        ·       escritor e jornalista –

        CATARATAS DO IGUAÇU

        Nota: O poema Águas Bilingue fez parte do PROJETO  PRÊMIO CATARATAS, em homenagem às Cataratas do Iguaçu.





        No mar imenso de espumas doces

        Beijas o ar e à terra circundante,

        O vento te carrega a mais distante

        Como se aos céus um refrigério fosses.


        A tua voz na imensidão reboa

        E faz surgir a vida a cada passo;

        Por verde, te agradece a árvore boa,

        Cedendo à ave o fruto e o regaço.


        Noiva do céu, em tua cor vestida,

        Pelos  penhascos imensos te arrojas;

        Tua majestade vai sempre mantida

        E às próprias nuvens fazes invejosas.


        Disfarças tua força na beleza,

        Camuflas teu poder em tua poesia;

        Mesmo em teu espetáculo és natureza,

        Ainda furiosa, és uma mãe que cria.


        Dias e noites, no inverno ou estio,

        Sobre três terras teu aguaceiro cai;

        És filha do Iguaçu, tu és Brasil,

        Num beijo à Argentina e ao Paraguai.


        SALTANDO O TRAMPOLIM DA VIDA

        Que tal lançar-se à concretização daquele sonho que você congelou no freezer, para um dia seguinte que sempre ficou para amanhã? A despeito do que quer que seja, a hora é agora.
                    Se comparado a um prato favorito – e a expressão cai bem para um sonho acalentado, a melhor hora para degustá-lo e digeri-lo é agora.

             No momento em que você decide reativar o seu anelo mais querido. No instante enm que você o retira do limbo da inércia, ele – a partir daí – já começa a se mover, ou a reviver, no seu processo existencial como um produto seu, com sua marca pessoal.

                    Tantos e tantos corações  estarão na sintonia do seu trabalho, na consecução desse seu ideal, muito mais do que você seria capaz de contar-lhes o número.

                    No instante que você exala o seu desejo do mais íntimo de si mesmo, o simples começo é energizante e vitalizador. A própria sensação de cansaço se desfaz ao estímulo positivo de um afazer promissor.

                    Isto é mais do que óbvio, porque a própria força de vontade faz direcionar esse esforço determinado e o tonifica ao sabor dos próprios passos empreendidos na direção desse bem desenhado no espírito da pessoa idealista.


        Definir  direções

                    A ser verdade que nascemos  cada qual com uma missão na vida, e disto não pode permanecer dúvidas porque somos projeto e obra de um Criador Inteligente e, dotados desse propósito, não foi o mero acaso que nos trouxe à Terra.

                    Para a consecução definida da própria meta, é muitas vezes requerido mais do que o esforço. Torna-se imprescindível a renúncia a um séquito de requisições e anseios por muitas coisas. Faz-se necessária a convergência de esforços de uma forma constante, sempre movida pela inspiração. Se o sonho valer o preço, não se importe que digam que você está com uma fixação.

                    Assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, é absurda a atitude de se derivar para vários objetivos diferentes. Essa prática é inimiga  do sucesso, sempre construído com uma cor definida e contínua.  É preciso fazer com que toda a atenção se concentre para o sonho eleito, nele colocando toda a força do sentimento.

        Congregação de Ideias

                    O Universo permanece em constante mutação. Assim também a vida de cada pessoa, na terra e em todos os mundos. Esse movimento nos  permite pressupor seja eterno.

                    Na parte em que é chamado de matéria, seja um indivíduo ou uma estrela, inevitavelmente passou por uma primitiva fase de invisibilidade. Aliás, há uma constante transição universal de todas as coisas e seres, do invisível para o visível e vice-versa.  Daí ser muito confortador e verdadeiro aquele dístico “a morte não nos destrói, apenas nos torna invisíveis”.

                    As aventuras da Ciência, ainda ocupada em sua quase totalidade ao aspecto material demonstrável de suas pesquisas e teses, - que é um campo vasto e não totalmente compreendido, não pode dar-se, de forma efetiva, ao esforço de ocupar-se da espiritualidade de forma fixa e permanente. Não pode dar-se ao estudo do invisível, do impalpável ainda que  até haja  se dedicado no estudo das moléculas e dos átomos.

                    Mas existe um vasto oceano a ser pesquisado que foge de nossos olhos e dos nossos demais sentidos. Raríssimas pessoas têm consciência desse mundo submerso, mas tão vivo, ou até mais, que a própria dimensão material.

                    Aos menos dotados de vidência e clarividência – como queiram – é o bastante promover a sintonia com a esfera silenciosa que nos rodeia, em cores e sons maravilhosos. É uma fonte de infinita energia que nos circunda e da qual nos devemos dar conta porque faz parte de nosso próprio ser. Dizia São Paulo, com relação a Deus –que é Espírito Invisível e Indecifrável: Somos de Sua genealogia.

         Você nunca está só
         Nem eu nem você estamos sozinhos em nossas operações mentais e espirituais, isto é, em nossos pensamentos, sentimentos, raciocínios e intuições sempre estamos inseridos dentro de um processo que, ainda que inexplicável, é um grande oceano de energia e vida.

                    No instante mesmo em que o gatilho da mente faz disparar uma ideia, ela é como uma pedra lançada sobre um lago – incomensurável, e naturalmente  não deixará de provocar efeitos. Esta concepção não é nova, mas deve-se considerar, pois, a responsabilidade de cada um no ato de pensar. Sim, pensar é um ato, ainda que a frase pareça contraditória.

                    Afinal, também se sabe de longa data, que pensamentos são coisas. São de uma contextura impalpável, invisível a olho nu, mas tão real quanto qualquer outra coisa que se possa imaginar como palpável, visível e audível.

                    A partir do momento que surge na mente um plano, o esboço qualquer de uma ideia que motive a pessoa de forma legítima para um determinado objetivo, outras mentes (impossível precisar quantas), de forma inconsciente e inexplicável, agregam-se nesse diapasão mental/espiritual, e somam energias para a consecução desse objetivo. Quanto mais bem definido, melhor e mais breve será a manifestação que se desenhou pela inspiração.

         O fermento principal
           Uma boa tática para agregar mais mentes e almas a um projeto pessoal é buscar sempre o relacionamento com as pessoas certas. Claro que nem sempre isso é fácil, mas se fosse fácil,  acho que nem valeria a pena. Sem a coesão que formos capazes de estabelecer, todo sucesso será temporário.

                    Assim como a árvore precisa de raízes, para da terra extrair o seu sustento, em perfeita harmonia com as demais partes de si mesma – caule, folhas, flores para gerar e produzir frutos, o mesmo se dá conosco enquanto entes sociais.

                    Quanto mais agregarmos pessoas com identidade de propósitos bem definidos, mais fortes nos tornarmos para empreender com sucesso o objetivo desejado.

                    Este ponto consideramos como algo absolutamente natural. Basta só considerar que aquilo  que estamos em busca, outras pessoas estão a fazer o mesmo. Carecemos do concurso delas, assim como elas, do nosso.

                    Muitas serão, entre elas, que uma vez conhecida nossa presença nessa teia que urdimos com o coração, irão nos procurar para receber e oferecer apoios.

                    Dessa troca, melhor dizendo: dessa soma de informações, enriquecemo-nos com o conhecimento de nossos  novos parceiros e, por via deles, igualmente poderemos conhecer novos projetos ou novas formas para o desenvovimento de nosso trabalho, o qual nos conduzirá à realização almejada.


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