3. CADERNO G -

08 DE NOVEMBRO DE 2009- DOMINGO

02:00 H

São 2 horas da manhã, ainda neste Horário Oficial de Verão. A rigor, é mais uma transgressão aos princípios naturais. Sou de opinião que o tempo é sagrado. Ninguém tem direito de aumentá-lo ou diminuí-lo.

Até existiu uma divindade chamada Cronos, pelo que se depreende que os antigos, em sua sabedoria que remontava a milênios, devotava ao tempo um significado sagrado.



A estas horas, aqui no meu pedaço, as horas correm lubrificadas por uma chuva mansa. Uma garoa encorpada discretamente, a descer um pouco atordoada pelo vento brando e intermitente.


Na rodovia próxima, talvez por conta do horário, e por se tratar de um domingo, poucos zunidos de motores acusam a presença de veículos em trânsito.

As roupas penduradas aqui no alpendre machucam o visual do recinto, como a vestir fantasmas estendidos no varal. O ar está úmido e fresco. O vento, de tímia intervenção na chuva suave, não se apresenta com voz audível. Somente o ruído leve, quase hipnótico de uma garoa inofensiva.

Mais um domingo vai nascer daqui a pouco e entregar-se ao  banho lustral da manhã chuvosa. A vida vai prosseguir como sempre. Talvez o sol, por hoje ser domingo


DO CADERNO G -5ª 29/10/2009

5:10 h da manhã de 29 de outubro de 2009.

A madrugada ainda não se despiu de seu vestido de noite, sacudido pelo vento intermitente ao derredor. Uma sinfonia de motores ocupa o palco da rodovia próxima. Como a destoar das notas velozes do asfalto, um galo intromete seu canto nas cercanias.

Na realidade são 4 h 10 m da matina, pois o horário de verão já impera, a pretexto de economia de energia elétrica. E quanta energia se perde por falta de energia de nossos poderes constituídos para evitar a sangria da corrupção desbragada.

Não posso me estender muito, nesta hora de recolhimento a este diário que se abre para os meus dedos, por conta da insegurança, ainda que não haja antecedentes de visitantes indesejados, já não conto mais com a presença de um vigilante, conhecido por sua valentia: o Nico - um pintcher muito especial, com suas orelhas em forma de antenas muito sensíveis para avisar até mesmo da passagem de transeuntes, aqui pela minha rua sem saída para veículos.

Enfim, é a vida que a gente continua, na luta por ganhá-la, mesmo em meio a perdas que fingimos esquecer. Faz parte da existência de todas as pessoas, em todas as famílias.



 Vou fechar o caderno e procurar, com bom senso, conformar-me com a verdade de que Nico continua a fazer parte do universo. De forma  especial, do meu universo, pelas lembranças que nunca se apagam, de suas artes, seus fricotes e suas fugas, que tanto me desesperavam. Enfim, agora ele se evadiu mesmo, mas o espaço e o tempo que ele ocupou nesta casa deve estar mais doque vivo nos registros akásicos e nos mais especiais do meu coração.





DO CADERNO G - 18/07/2009

Sábado: 18 de julho de 2009:



Os primeiros borrões de alvorada deixam entrevistas algumas nuvens, postadas no  nascente. O sol ainda jaz discretamente oculto. A luz do dia ainda é tímida, mas vai progressivamente a aclarar a cidade e os campos vizinhos. O inverno completará um mês no dia 21, mas apresentou alguns dias típicos de verão, com descanso para os agasalhos.


     Os pássaros já cantam e se entendem, na canção para mais um alvorecer. De costume, nos longes da Vila Nova, os cães ladram alternativamente. A vida começa a se mexer e arruidar-se a partir da rodovia que corta o meu velho pedaçõ de chão.

    Por haver me recolhido mais cedo ontem, hoje o sono deixou meu leito a partir das 4 horas da manhã. Liguei o televisor. Um pastor, do movimento evangélico "Vitória em Cristo" fez uma belíssima e inspirada pregação:

   "Deus nos quer salvar a partir de agora mesmo. Não como alguns são erroneamente levados a crer, que Ele nos queira, no ato salvítico, levar-nos para o céu. Assim fosse e, tão logo nos salvasse, então nos mataria para nos conduzir ao paraíso."

     Segundo esse pregador, Deus nos quer felizes aqui e agora, a ponto de que nossa felicidade cristã possa contagiar às demais pessoas, nossa família e nossos amigos, e possamos nos fazer em bênção em nosso ambiente doméstico e de trabalho.

 ,    Concordo com esse posicionamento positivo e esperançoso, numa lógica espiritual óbvia de que, é a partir de onde estamos, aqui na Terra, que começa a nossa trajetória eterna. E nada há que impeça de que ela seja harmoniosa e feliz, de molde a retratar Deus em nossa conduta e em nossos atos.

POETA OCULTO APARECE.

 
Michel Temer - Vice Presidente da República Federativa do Brasil 
 
O Dr. Michel Temer, pelo fato de só agora tirar do peito, alto e bom som e em bom tom a sua poesia, revela-se um vate inspirado, e faz o malabarismo sutil de expressar uma linguagem poética, ao mesmo tempo simples e profunda.
           Ousei mandar-lhe a análise de um dos poemas que compõe o seu livro recém-lançado: "Anônima Intimidade", editado pela Topbooks, 160 pág., e aqui reproduzo a poesia e abaixo as considerações sobre a mesma.
 
 
VERMELHO
 
 
De vermelho
Flamejante.
Labaredas de fogo
Olhos brilhantes
Que sorriem com lábios rubros.
Incêndios
Tomam conta de mim.
Minha mente,
Minha alma.
Tudo meu
Em brasas.
Meu corpo
Incendiado
Consumido
Dissolvido.
 
Finalmente
Restam cinzas
Que espalho na cama
Para dormir.
 
Excelentíssimo Poeta e Vice-presidente da República
Dr. Michel Temer,
Conhecedor de longa data da sua admirável facilidade de comunicação, experimentei grata surpresa ao ler, no suplemento "Ilustríssima" de domingo, de 13 do corrente, os seis poemas de sua lavra ali constantes.
Degustei os versos ali insertos, todos muito apreciáveis. Tanto mais ao deparar-me com "VERMELHO", descobri e redescobri significados que revelam, não somente um poeta inspirado por apreciável dom, ao qual sabe juntar, como poucos, a técnica.

A começar pelo título: "Vermelho" sugere o amor em significado "eros", confirmado pelas expressões "flamejante", seguido no parágrafo por "Labaredas de fogo, olhos brilhantes que sorriem com lábios rubros". E aí se reafirma em significado, na palavra "incêndio" [ onde o senhor emprega um verbete que vale como adjetivo, mesmo sendo um substantivo].
E se dá a melhor entender que esse incêndio, numa sequência, passa a dar expressão à "Minha mente, minha Alma" até transfazer-se em "brasas" ;a consumir-se e a dissolver "Meu corpo". Ao referenciar Mente e Alma, sugere uma expansão daquele aspecto meramente incendiário da mocidade, numa fase mais abrangente mas menos intensa.
De repente, o poema - em freada inesperada, arremata, com coerência e suavidade: "Restam cinzas/ Que espalho na cama/ Para dormir.
O arremate se abre em leque, e a peça poética soa bem original, numa precisa observância de uma regra curial: começo, meio e fim.
A palavra "cinzas" se revela múltipla em significados, assim como fica no ar, de forma muito bem exposta, a expressão "para dormir". Em nenhum momento o senhor usou, mas disse com todas as letras, as palavras Juventude, Maturidade e Velhice. Em meu limitado entender, nisso reside a poesia, que é tecida de sutilezas. No caso presente, trata-se de uma peça que revela uma maestria, hoje tão carente num mundo de linguagem tão explícita e e a cada dia com menor número de ourives do idioma.
Cumprimentando-o pelo esmerado lavor poético, encaminho a Vossa Excelência, dois trabalhos de lavra própria.
Espero prossiga em trazer ao público leitor, novos trabalhos de sua arte poética, e felicito-o por mais esta qualidade, que acrescenta e enriquece a sua respeitável biografia.

Atenciosas Saudações, em 18 de janeiro de 2013,
 
Geraldo Peres Generoso
 
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Atenciosamente ele nos brindou com esta resposta que em muito enalteceu nossa condição de leitor e cultor da arte poética. Eis o fac-simille da mensagem do Poeta :

 


 

FOLHAS DO CADERNO H

SEXTA-FEIRA, 10 de julho de 2009.

São 4:30 h da manhã. Permaneço aqui na varanda, a resfriar o corpo e a mente, por uma brisa fresca que não se acanha em entrar pelo vão da soleira da porta.

De qualquer modo, a despeito deste discreto desconforto da frieza própria das madrugadas, suporto-a com galardia, no contrapeso da expectativa (sempre igual e sempre nova) da gestação de um novo dia. De uma nova aurora, essa criança loura,  que daqui a pouco saltará do ventre das trevas.

A cidade já acorda ao rumor de veículos de todos os tipos, os quais dá para reconhecer pelo som do ronco dos motores que vem de diversos pontos da cidade.

Se a gente prestar atenção no que nos trará o novo dia, certamente, com os mesmos olhos de ontem poderemos ver novidades que até então não enxergávamos.

Novo é sinônimo de renovação, de recomeço, ou até mesmo de um começo depois de romper com amarras pretéritas. 

Vou procurar a sintonia com a verdadeira realidade da Vida, numa comunhão inocente com o cantar dos galos, relógios verdadeiros de um tempo sempre novo.

BOM DIA A CADA UM DOS LEITORES E LEITORAS.




FIGURA INSUBSTITUÍVEL


Impossível aceitar a tua partida, quando ninguém, de direito e de fato, pode ocupar o teu lugar. O que fazer com este vazio em que jazemos submersos?

O que fazer quando nosso barco estremece à deriva, vergastado pela fúria da tempestade, como aquela que repreendeste, para assombro e alívio de humildes pescadores que clamaram pelo teu socorro?


Quão mais felizes seriam as nossas festas, com a tua presença, a preencher as taças, com o  vinho mais puro, convertido da inspidez da água que abençoaste.


Quanta harmonia haveria de sentir um lar em que te assentavas ao centro da mesa, para partir o pão ao modo que era só teu, reconhecido pelos peregrinos do caminho de Emaús!

Quanta serenidade preencheu o coração de quem ouviu, à viva voz, a tua saudação usual: PAZ SEJA CONVOSCO .

DUPLICAÇÃO RODOVIA RAPOSO TAVARES

O Superintendente do DNIT no Estado de São Paulo Eng.º. Ricardo Madalena esteve nesta quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013, em audiência com o Secretário de Estado de Logística e Transportes, Dr. Saulo de Castro Abreu Filho, acompanhado dos senhores Luiz Carlos Souto (Pref. Mun. de Ipaussú/SP), Sergio Galvanin Guidio Filho (Vice-Prefeito), Antonio Florindo (vereador de Ipaussú/SP), Dr. Jair Cesar Damato (Pref. Mun. De Pirajú/SP), Rev. Daniel Madalena (Secr. Mun. do Turismo, Indústria e Comércio de Pirajú/SP) Toni Meira (Sec. De Agricultura e Meio Ambiente de Pirajú/SP) Aníbal Feliciano (Pref. Mun. de Canitar/SP). O assunto tratado na reunião foi a reivindicação de melhorias nas condições de tráfego da rodovia SP-270 – Raposo Tavares, no trecho compreendido entre as cidades de Pirajú e Ourinhos.
Segundo o próprio Superintendente Ricardo Madalena, o aumento no número de acidentes com vítimas, inclusive fatais, ocorrido nos últimos anos causou uma mobilização da população em busca de soluções para o problema:
“Recentemente fui solicitado pela população de Ipaussú e Região para representá-los junto ao Governo Estadual, levando ao conhecimento do Secretário de Estado de Logística e Transportes de São Paulo, o desejo comum de diminuir consideravelmente o número de acidentes na Rodovia Raposo Tavares, que têm gerado inúmeros transtornos ao tráfego da região e, principalmente, tirado a vida de diversas pessoas.”
A população, através de seus gestores municipais, párocos e alguns munícipes, enviou ao Superintendente Ricardo Madalena, livros de abaixo-assinado contendo mais de 6.000 (seis mil) assinaturas. O Superintendente, antecipando-se ao exposto, levantou dados oficiais com vistas a embasar a reivindicação:
“Após o recebimento dos abaixo-assinados e dos ofícios dos gestores municipais solicitando minha intervenção, pude levantar junto à Polícia Militar Estadual, dados relativos aos acidentes ocorridos na SP-270 entre os anos de 2002 e 2012. A partir destas estatísticas constatei que houve,  principalmente nos últimos cinco anos, aumento significativo na ocorrência de acidentes e no número de vítimas fatais no trecho entre Pirajú e Ourinhos. Com um documento bem detalhado em mãos, somado à comprovação do que anseia a população através das mais de seis mil assinaturas e minha luta constante em prol de melhorias para a região, solicitei oficialmente ao Secretário de Estado que fossem tomadas providências urgentes para a solução do problema.”
O Superintendente solicitou duas intervenções na rodovia. A primeira, em caráter de urgência, compreende a melhoria nas condições de sinalização vertical e horizontal (placas, pintura de faixas e inclusão de sonorizadores próximos aos trevos de acesso). A outra, a duplicação de todo o trecho compreendido entre Pirajú e Ourinhos, trazendo assim mais segurança e conforto aos usuários da rodovia e também reduzindo sensivelmente no número de acidentes com vítimas.
Em resposta ao exposto, o Secretário de Estado de Logística e Transportes Dr. Saulo, comunicou aos presentes que já está sendo concebido um projeto de melhorias na rodovia SP-270, no trecho compreendido entre Itapetininga e Ourinhos. O projeto contará com investimentos financiados pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento que totalizam aproximadamente R$ 400 milhões.
Somente no trecho em discussão entre as cidades de Pirajú e Ourinhos, o Governo do Estado pretende investir cerca de R$ 100 milhões.
O Secretário determinou ainda, que o Superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo - DER/SP, Sr. Clodoaldo  Pelissioni realize uma reunião com os prefeitos da região dentro dos próximos 60 dias. A reunião terá a finalidade de discutir detalhadamente cada ponto do projeto, para que o mesmo seja executado atendendo os anseios de todos os municípios.e
CERTAMENTE, ESTA É UMA NOTÍCIA DAS MAIS OTIMISTAS E TRANQUILIZADORAS PARA O TRECHO DA RAPOSO TAVARES, OURINHOS-PIRAJU, QUE TEM CEIFADO VIDAS PRECIOSAS DAS CIDADES DESTE ENTORNO. NOSSO RECONHECIMENTO AO ENG. RICARDO ROSSI MADALENA, UM BOM MENINO QUE SEMPRE VISA O MELHOR PARA A NOSSA REGIÃO. VAMOS APOIÁ-LO PARA QUE TENHA ÊXITO NESSA DIFÍCIL E DESAFIADORA TAREFA. (Geraldo Generoso - Jornalista Mte. 33.788, Ipaussu sp

MEMÓRIAS DO ALFARRÁBIOS 1

Trago para os leitores do blog "alfarrábios..." alguns manuscritos inseridos em um caderno, silencioso em minha estante.
                            


Ipaussu, em 08 de julho de 2009.

     São duas horas da manhã. A estrada próxima  jaz imersa na quietude, às vezes quebrada por algum zumbido de motores, alongado na madrugada, ainda vestida pela frauda do céu escuro.

     Cães ladram insistentes para as bandas da Vila Nova, em latidos mais puxados para o tom agudo. Pelo som dessa orquestra latifônica, muitos devem ser os figurantes, a pautar de vozes o silêncio gigantesco.
.............

     De qualquer modo, o ambiente é de paz. Vez por outra, um caminhão rasga o silêncio, até para quebrar a mudez que veste as imediações.
 
    A mente, mesmo nessa quietude circunstancial, pode comparar-se a um arco a disparar inúmeras flechas de pensamentos, sem alvo definido. Busco a sintonia com o infinito, nesta hora propícia de solidão indolor e recolhimento profundo.

    Daqui a pouco tudo vai recomeçar tão logo se anuncie o novo dia. Tudo agradavelmente igual marcará um recomeço de rotinas conhecidas.  É a continuidade esperada, sobre a qual, cada um de nós somos tangidos a prosseguir fiando o misterioso tear da vida.

    E já que assim está disposto, assim me disponho a viver, com a graça de Deus, mais este dia.

AMOR E AMIZADE

                           Coisas que acontecem ...

 
       É  fato intrigante
que, mesmo a amizade, 
 algo tão bonito e  tão gratificante,
 
às vezes traga a infelicidade
E  não hesita em nos trazer,
até  mesmo a dor:
 
quando a amizade
 passar a ser,
o  simples resto de um grande amor.

EXERCITE OS OLHOS

Exercite ao máximo  sua visão
no cotidiano com a pessoa amada,
antes que,   por olhos melhores olhada,
venham dela  fazer uma avaliação
Que por você jamais foi contemplada.

 

À SUA MAJESTADE, REI DO UNIVERSO






A Vossa Majestade exponho a vida

Que julguei ser de minha posse,

Nesta já longa estrada percorrida,

Que até pensei que mais breve me fosse.

A arfar fiz romper grande subida,

Só por gotas contei momento doce

Nesta jornada quase concluída.



Mas sou grato ao Vosso amor perfeito,

Ignorante embora aos feitos Vossos,

Vos trago esta oração feita ao meu jeito,

Nesta prece que não nasce dos meus ossos;

Nem Vos fale, tão só, este esqueleto,

Nem mesmo este coração no peito.



Em sentimento me posto contrito

Diante do Amor de Vossa Majestade,

No silêncio da carne ante o infinito,

Sem qualquer sonho ou necessidade.

Que Vos chegue da Alma este meu grito

Naquele sopro que por Tua bondade

Insuflaste em Adão, como está escrito.




Geraldo Generoso – 21.01.2013  (Poema de Geraldo Generoso aos amigos da Ucrânia)

MULHER, A ALMA DA CASA

Caros amigos e amigas. Este é a 250ª  postagem nestes Alfarrábios. Um abraço à Alemanha pelo elevado número de acessos neste dia, à frente inclusive dos Estados Unido e pouco  abaixo do número de internautas do Brasil, de onde espalho estas despretensiosas mensagens. Muitas destas páginas, como é o caso da presente, é resultado de síntese de palestras proferidas em diferentes locais de um pequeno círculo que estamos reunindo para intercâmbio de ideias e propostas para um mundo melhor.

       Na oportunidade o enfoque é sobre a figura da MULHER. Ela é o elemento insubstituível, tanto para um casebre quanto para um palácio. Um dos primeiros probérbios que li, numa tabuleta da casa da fazenda onde morava com meus avós, foi esta singela frase, que até hoje mantenho presente em minha alma e em  meu coração: "Os homens constróem casas, as mulheres constróem lares".

      Meu saudoso amigo Hélio Brisola, o maior humorista que conheci, porque fazia da vida um teatro de sábia alegria, costumava repetir: "A mulher é o homem passado a limpo". Maneira graciosa de dizer uma verdade, até de forma um tanto maliciosa mas nem por isso menos verdadeira.

     Em meu entender, essa jocosa expresssão não se cingia tão só à referência plástica, material ou estética de que a mulher com mais zelo se ocupa, mas do aspecto da sensibilidade, sob a hipoderme do espírito, mais do que a intelectualidade que se cinge à epiderme, numa percepção táctil e concreta, do ver para crer.

     Com o surgimento da Revolução Industrial na Inglaterra no século 18, as condições de vida e de trabalho foram marcados pela miséria." O operário trabalhava  14 horas por dia em condições insalubres, não havia uma legislação trabalhista e a exploração era ainda maior em relação às mulheres e às crianças, que viviam em locais semelhantes a cortiços"

    Sem mergulhar mais fundo na História, que é obra de estudiosos mais afeitos ao tema, podemos levar em consideração que, em grande parte, por força do capitalismo que se firmou, por diversas razões - entre elas o aumento da população ém escala mundial, a mulher aos poucos também foi arrastada com suas crianças para o chão de fábricas. Em condições adversas, num forte acento de mais e mais sacrifícios, por conta de uma nova ordem que, a rigor, predominou e veio para ficar.

   Tanto quanto possível, procuro não colocar em relevo o aspecto político, muito menos o ideológico nesta questão cujo mote é a importância da mulher no cenário da família. A prevalência da nova ordem política, regada a lucro e luxo, acabou por retirar a mulher de sua condição natural, à qual era afeita desde o princípio da civilização, para acudir as demandas do lar. Mormente porque os salários aviltados, num regime que pouco ou quase nada faltava para ser chamado de escravidão, resultou no que hoje aí está.

    Não que a mulher, na redução de uma expressão mais simples, se reduza a mera acumuladora de tarefas de rotina, acumulando funções de cozinheira, lavadeira, passadeira e executora da faxina da casa..Mas é inegável, sem evocar qualquer saudosismo, que no que a elas coube, enquanto administradoras da casa e da família, conseguiram firmar e formar um mundo de homens e mulheres melhores.
   
    Para surpresa dos machistas, em regra geral, elas se igualaram e até superam os homens em cargos de direção e gestão. Talvez por uma adaptação forçosa, tiveram, sim, que buscar mais equilíbrio entre razão e sentimento, e o fizeram de forma espetacular.
 
    Não há como voltar no tempo, nem significa que a elas eram destinados destinos melhores, enquanto gestoras do lar e, em maior parte, formadora do caráter dos filhos. No entanto, quando se discute tanto - e esse quebra-cabeça desafia as maiores e mais privilegiadas mentes de psicólogos e pedagogos, resulta o fato histórico comprovado, reiteradamente comprovado, de que Mãe é insubstituível no seio da família.

   Hoje, forçosamente obrigada a dosar sua dedicação, ainda que isto lhe custe dores imediatas e a longo prazo, o resultado aí está, com o mundo tentando essa proeza impossível de construir um edifício sem alicerces. A escola, por melhores professores que ofereça, não chega nem perto do que um mãe, ainda que analfabeta,  pode assegurar a uma família. Porque o amor não se arranja nem se adapta, e o amor de Mãe é a expressão mais autêntica, legítima e quase palpável do infinito amor de Deus.

  *Sintese de Palestra proferida em Cornélio Procópio, em 20.0l.1995, a um grupo de educadores de uma instituição de ensino daquela cidade paranaense.



    

O SAL É IMPRESCINDÍVEL

Com a devida vênia aos leitores do Brasil - que são maioria nestes meus alfarrábios - sinto-me no dever de me reportar à UCRÂNIA, pelo meu confesso débito de gratidão a um povo tão especial e que nas últimas semanas me tem presenteado com grande número de ascessos.

      Não sei se são brasileiros lá radicados ou se são mesmo ucranianos natos. Não dá para saber porque agora o blog tem a opção de tradução dos textos que aqui são redigidos. De qualquer forma, me sinto obrigado a desejar a essa simpática nação os meus mais escolhidos votos de progresso com bem-estar para a sua simpática e laboriosa gente.

     Este formato de comunicação (blog), por conta mesmo da própria dinâmica da internet, nos obriga limitar cada postagem, nem sempre - como é o meu caso -, sem prejuízo de dar por completa a exposição da ideia que me vai na mente e no coração.

    No texto anterior, falei sobre a realidade histórica - tanto no passado quanto no presente - sobre o domínio das minorias sobre as maiorias. É mais do que óbvio que o ideal seria mesmo uma sociedade com mais igualdade econômica, ou, pelo menos, com desigualdade mais tolerável. Mas esta é uma questão política e, todos esperamos que ao longo do tempo melhoras aconteçam nesse e em todos os níveis.

    Grande número de pessoas, mesmo em detida análise - e não sem razão - demonstram seu inconformismo com o mundo e a humanidade no estado em que se encontra: violência, carência e até mesmo fome, como em certos pontos do globo, que leva desconforto, inconformismo e até revolta contra esse estado de coisas.

    Uma comparação feliz do Mestre Jesus, e ao mesmo tempo esclarecedora sobre essa questão, foi a afirmação de que "vós sois o sal da terra", de forma imperiosa e clara aos seguidores de seu ministério. A rigor, Ele usou uma imagem muito apropriada ao comparar aqueles que se posicionam em favor de uma vida melhor para os demais, ao sal.

    Mesmo aqueles portadores de hipertensão não podem, a rigor, abolir totalmente o sal de sua dieta. Dê a palavra a qualquer médico ou farmacêutico e obterá a noção de, ainda que em pequena porção, o sal se revela indispensável à vida de cada um de nós. Quem procurar informar-se, certamente comprovará o que aqui está registsrado.

    Mas havia ainda, naqueles tempos de Jesus Cristo em Israel e demais países conhecidos, outra necessidade, não menor do que aquele que requer a química do organismo. Não havia geladeiras, e por essa razão, o sal era um conservante dos alimentos, evitando sua deterioração. E, com sua atuação de preservar a integridade dos ingredientes alimentares, poupava a população da fome, pelo fato de os alimentos não se fazerem perecíveis precocemente.

   Assim, pois, aqueles de nós que olham para o mundo atual, muitas vezes com lentes até mesmo realistas, para e conclui que tudo parece perdido. Julga que é meramente impossível mudar o pensamento, os sentimentos e emoções de mais de 6 bilhões de indivíduos que povoam o planeta.

   Mas, a rigor, prevalece a esperança. E até mesmo a certeza, porque há, como sempre houve, a presença de pessoas iluminadas, inspiradas e prontas a se fazerem no sal da terra e, em meio às trevas aparentemente indevassáveis, serem a luz do mundo.


   

CADA VIDA É UMA MISSÃO

Cada pessoa traz para este mundo uma missão, à qual competirá a ela própria burilar ao feitio de seu ideal, na dimensão que o desejar, se assim o fizer de todo o coração. Cedo se aprende no catecismo da igreja sobre a necessidade de não se  cair em pecados - mormente aqueles considerados pecados mortais.

A catequista lê, explica e, a bem da verdade, é uma semente lançada, embora tenra como sempre é uma sementinha, que direcionará a vida futura dessas  criaturas. Aqui não apregoo, como o fez o filósofo Voltaire que via, de forma  crua e objetiva, a religião como um freio necessário,  a ponto de afirmar  que  se Deus não existisse, era preciso inventá-lo, como uma forma de equilibrar a sociedade.

Restou implícito, ainda que alguns instrutores prezem afirmar que a omissão equivale, em mesmo grau, à perpetração de um pecado. Enquanto de um lado a tecnologia assazmente facilitou a vida das pessoas, por outra fez exacerbar o individualismo.

 Até mesmo os laços familiares, que são raízes de sangue e exemplos, aos poucos se dissipa, em meio a uma corrida que, no mais das vezes, o sujeito não sabe para onde ir. A ciência que nos prometeu todas as respostas, apenas faz aumentar em cada um de nós um número ilimitado de indagações.

Felizmente, mesmo em meio a uma apatia generalizada que se verifica em nível mundial, mormente nos países de Primeiro Mundo e nos emergentes, ainda há esperança de melhores formas de vida. De uma conscientização que promova um senso de responsabilidade, diante da hora crucial que atravessamos.

Todo o avanço da humanidade, em todas as épocas, apesar dos pesares e de muitos equívocos, sempre ocorreu em função das minorias. Assim afirmo, não por um pensamento elitista de julgar que as massas sejam inermes e precisem e mereçam ser conduzidas.

Assim reafirmo, como ensinou Will Durant por outras palavras, que todo poder se realiza mediante um princípio de organização.  Meramente união não faz efeito, é preciso que seja articulada, organizada e hierarquizada.

No que tange a religião, obviamente discordando mais uma vez de Voltaire quando afirmou que a relligião surgiu com o primeiro espertalhão que encontrou o primeiro tolo, se passarmos os olhos pela História, logo ali nos primórdios dos primeiros grupamentos humanos, é fácil verificar que a religião nasceu  a partir do anseio e satisfação das necessidades básicas do ser humano.

Melhor dizendo, os instintos, palavra que hoje soa de uma forma equívoca, como sendo algo a ser constantemente dominado, foi ele sim, que gerou o primeiro impulso de idealizar a Divindade. Fundamentalmente, quais foram os primeiros motivos de festas entre os primitivos, senão as colheitas, que queriam fartas?

 Sempre que isso ocorria, agradeciam - a seus modos - a um Deus que os havia permitido uma boa alimentação. Comiam exageradamente, livres do medo da fome que, infelizmente, era comum eles sofrerem por diferentes causas.

No que dizia respeito ao sexo, igualmente achavam motivo de dar graças a uma entidade que os permitia sentir esse velho, mas sempre atual prazer, que acompanha o homem desde os seus tempos de arborícola.

Todavia, já é mais que tempo em que a humanidade se volte mais para o Creador, pois a humanidade não é mais criança, Amadureceu o suficiente para contar com uma concepção nova, mais próxima da espiritualidade maior, compreendendo, por via de tantos sábios, iluminados e iniciados, que nos legaram visões mais sublimes do Criador e de nossa relação com Ele.

Preocupante para cada civilização quando os valores se materizalizama tal ponto que a ideia que se faz de Deus se esfacela em meio a cédulas, moedas e tudo quanto possa comprar nos shoppins. Consumir produtos que invadem o próprio recinto do lar, último reduto e asilo inviólável, com uma vitrine permanente, através das telas dos televisores, a cada dia com mais polegadas e com mais nitidez, em resoluções espantosas.

Tudo o que existe para desfrute humano, em nenhum sentido é condenável. Mas como bem pregou um filósofo em idos tempos: só há um excesso recomendável neste mundo, o da gratidão.

O MISTÉRIO DA VIDA

A vida humana, até onde podemos entender, revela-se a mais dolorosa entre os seres viventes. Se estudamos a História da Civilização, as páginas se encharcam de sangue diante de nossos olhos e, ah, se o simples papel articulasse seus gemidos, ensurdeceríamos ante tantas dores superlativas e irremediáveis.

De vez em quando nos deparamos com relatos de pestes que vestem de luto coletivo as cidades e os campos. Guerras se sucedem incessantemente, a fome grassa entre populações inteiras, num suplício que pouco aquém fica do inferno que o poeta Dante Alighiere retratou com tanta crueza.

Mesmo na vida individual, o ser humano acorda para este mundo ao som do próprio choro. Nesse intervalo desse primeiro choro e do último, na dor que é muito comum antes de morrer, não faltam lágrimas que rolam, algumas pelos olhos e outras tantas pelo coração.

O mundo, enquanto tal, divide-se em dois grupos: os infelizes e os aparentemente felizes. Cada indivíduo é atrelado a obrigações, compromissos, opressões de toda ordem, sem contar os medos imaginários que se mostram maiories do que a própria vida.

E os sábios? ah, os sábios! Em pequeno número para acender um facho de luz em meio à escuridão de que a vida é farta. Eles próprios, mesmo dotados de conhecimentos e habilidades incomuns, não raro sofrem o guante da incompreensão e do vexame, num planeta turbulento. Instável, tanto por causas naturais quanto por causas humanas e artificiais.

De qualquer modo, ainda assim a raça humana segue avante. Parece entender, como bem preconizou o imortal poeta indiano, Rabindranath Tagore, que o universo é dinâmico, que tudo está a caminhar para um porto e são comuns as tempestades e borrascas pelo mar que cada um de nós ensaiamos esta misteriosa travessia.

Do que sabemos deste mundo - e quanto mais sabemos mais nos assustamos - prevalece a tragédia, em graus variáveis nas diferentes latitudes terrestres. No entanto, o ser humano é de uma estirpe indomável. Luta e reluta, apanha e bate e no fim acaba por vencer tantos desafios que saltam à sua frente.

O mais curioso em toda esta questão é que a humanidade nunca desanima. Às vezes erra os passos, mas sempre acaba por encontrar caminhos novos. Mesmo que sejam caminhos mais ásperos, ainda assim os palmilha com ousadia indomável.

Lemos no Antigo Testamento a saga dos israelitas em busca da Terra Prometida. Quarenta anos de marchas e contra-marchas, mais por conta das idiossincrasias e do espírito volúvel dos caminhantes, do que propriamente por falha de Moisés, o maior condutor de homens da antiguidade.

Também cada um de nós, nessa travessia pelo deserto, em busca da felicidade real e única, que representa a nossa  confirmação do dístico de Jesus Cristo "vós sois deuses", igualmente tergiversamos nossos passos, derivamos nossas vistas ao chamado mundo de Mamon e retardamos o nosso encontro com a verdadeira ventura, simbolizada na linda parábola do filho pródigo.

Voltando à questão da humanidade, havemos de convir que, no geral, inevitavelmente cada pessoa sente, de vez em quando, a força daquele sopro vital que o Creador insuflou no ser humano e o fez uma alma vivente.

Mesmo levando em conta, como alguns mais minuciosos admitem, que seja essa uma alegoria ou um simbolismo, a verdade é que o homem (inclusa a mulher, obviamente) provam, por milênios de lutas sem tréguas contra os sofrimentos e as tribulações, não há como não admitir que trazem consigo - cada qual em sua medida - uma parte do Creador,  que o faz viver, mover-se e ter Nele o seu ser. E como qualquer parte do infinito é também infinita, o homem tem o direito de abraçar esse destino e essa condição.

Á SOMBRA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

SENTIMENTO DO MUNDO


Carlos Drummond de Andrade


Tenho apenas duas mãos

e o sentimento do mundo,

mas estou cheio de escravos,

minhas lembranças escorrem

e o corpo transige

na confluência do amor.


Quando me levantar, o céu

estará morto e saqueado,

eu mesmo estarei morto,

morto meu desejo, morto

o pântano sem acordes.


Os camaradas não disseram

que havia uma guerra

e era necessário

trazer fogo e alimento.

Sinto-me disperso,

anterior às fronteiras,

humildemente vos peço

que me perdeis.


Quanto os corpos passarem,

eu ficarei sozinho

desfiando aa recordação

do sineiro, da viúva e do microscopista

que habitavam a barraca

e não foram encontrados

ao amanhecer.


esse amanhecer

mais noite que noite.


~~~~~~~~~~~~~~~~~


SENTIMENTO DO MUNDO
Geraldo Peres Generoso -

Detenho apenas no trecho,

Pavimentado de dias

Em mão única, o desfecho

De minhas dores e alegrias;

O meu próprio rastro deixo

Invisível em minhas vias.


Sei bem:  meus dias vividos,

Cobertos serão de um véu

Como sobre os não-nascidos,

Sobre o mar, a terra e o céu.


Talvez em momento miúdo,

Só em pílulas de lembrança,

É o que vai restar de tudo

Sobre o meu fantasma mudo:

- Saudade sem esperança.


Nem mesmo a bela imagem,

Construída  de olhar e sonho,

Hei de levar na viagem,

De um mundo que eu quis risonho,

Na realidade e em miragem.

´

A saída não lamento,

Faz ela parte do jogo

E chegará bem aceita,

Não haverá mais tormento.
 

Inda que a fé seja um logro,

Espero o soar da trombeta,

E, se a vida foi malogro,

Foi uma farsa bem feita.


.


SERVIÇO AOS ESCRITORES E REDATORES


Há pessoas dotadas de talento para a escrita, mais do que o número por nós imaginado. O que fica escrito aprisiona os momentos - na paz e na guerra - para aqueles que virão após os escritores.

         Um dos grandes obstáculos - por incrível que pareça -, é a preocupação de um redator pela ortografia, pontuação e colocação das palavras de forma estética e motivadora.

       Na oportunidade, todos aqueles adeptos da arte de escrever, poderão contar com nossos serviços de Revisão, sem prejuízo da legitimidade de sua mensagem, como muitos e muitos autores disso podem dar testemunho.
     
     Entre em contato pelo e-mail braunaster@gmail.com e conte com uma revisão 100% ao esperado, de alguém com mais de 40 anos de experiência e, ao mesmo tempo, que se mantém totalmente atualizado com relação a esse trabalho.

ANTES DE JOGAR A BÍBLIA FORA

Tenho sempre ressalvado aos prezados (as) internautas, um especial cuidado em não fazer desta página uma apologia a qualquer sistema religioso ou político, de forma a arregimentar adeptos ou, pior ainda, ferir a sensibilidade de pessoas que têm o direito de pensar diferentemente, ou até ao oposto do que aqui escrevo.

          Tacitamente, desejo que o leitor entenda de forma clara que, em caso de qualquer contradição - que a seu ver eu incorra, favoreça-me com seu comentário. A soma dos contrários sempre acrescenta, porque, como se diz e com grande acerto: "ninguém sozinho é dono da verdade".

         Trago a lume, nesta  oportunidade, o relato sobre uma pergunta que me foi formulada, por uma pessoa (cujo anonimato resguardo, como de minha praxe) a respeito de uma decisão espiritual que intentava tomar.
          Disse ela:
        - Não me sinto bem no catolicismo. Não me dou bem no meio evangélico. No espiritismo também não me encontro. O que me sugere fazer? Você pode me indicar uma religião aonde eu possa encontrar conforto, alívio, esperança e tudo quanto se espera de uma denominação religiosa.
 
        Nunca me arvorei em mestre sobre coisas da espiritualidade. Sou nada mais que um simples estudante, ao longo de meio século, contudo acho ainda muito pouco tempo - considerada a eterniade - para poder falar de cátedra sobre tal assunto que, diga-se passagem, queiramos ou não, é individualmente intransferível.

      Pelo fato de ler nos olhos dessa criatura toda a sua confusão  um sinal positivo, pois quem se confunde é porque está a pensar. No caso, essa pessoa estava tão somente a revirar o seu caos anterior na tentativa de ordenar suas ideias, concepções e planos relativos à sua própria Alma.

     Curioso também é constatar que tais pessoas indagadoras, no fundo, elas presumem existir alguém que possa responder às suas próprias indagações íntimas. Tal ilusão é muito comum, apesar de se revelar inquietante. O indivíduo fica a saltar de galho em galho e no fim acaba descendo da árvore.

    Quando me ocorreu esse inesperado desafio, coincidentemente eu estava a ler a bíblia judaico-cristã.  Na ocasião, meditava sobre a imparcialidade dos textos sagrados, com seus registros até mesmo de atos comuns da própria vida; de quedas espetacularmente lamentáveis de grandes personagens do Antigo e do Novo Testamento.

    A Bíblia revela, a quem quiser lê-la, uma fonte não só de sabedoria, mas um repositório de lições realistas, sem fantasias, como soe acontecer com as religiões de outros povos, onde prevalece o mito, o impoderável, o impossível.

    Embora não seja bem vinda uma contrapergunta a quem nos indaga sobre qualquer assunto, usei desse expediente para com aquela alma em tensão, ávida por abrir a cortina em que se oculta a verdade, ou verdades sobre a vida e a melhor forma de exercê-la.

    O diálogo foi mais ou menos assim, entre mim e o (a) interlocutor(a)?
    - Por acaso, você já leu a Bíblia ?

    - Li algumas partes. Sinceramente não encontrei resposta a muitas de minhas perguntas íntimas. Encontrei muitos relatos mitológicos e sem sentido. Às vezes até absurdos e inacreditáveis - respondeu a pessoa em questão. E arrematou: por acaso você vai me mandar ler a Bíblia?

     - Não mando em ninguém. Nem sequer em mim, porque a hora que acabar o ar, e eu ficar fora do ar, vou descer o corpo para a terra como qualquer mortal. Apenas sugiro que você dê mais uma chance a você mesma, lendo com atenção e sensibilidade o que a Bíblia propõe. Você concluirá que é um livro que serve até para os ateus, como os redigidos pelo sábio Salomão, que são o livro de Provérbios e o Eclesiastes.

      O que ocorre é o fato de muitos buscadores não conseguem se embriagar com as verdades da vida porque não ingerem a dose completa que os capacite a retirar um pouco os olhos sobre a vida cotidiana e vivenciar os ensinamentos registrados nesse livro - o campeão mundial em leitores - com a devida atenção e zelo.

      Inevitavelmente, há passagens - mormente no Velho Testamento - com as quais muitas pessoas encontram dificuldade em assimilar. Oras, é como comer uma fruta, sem necessidade de também comer as sementes da mesma.

     Cada um pode, sem dúvida, absorver para a sua vida pessoal, social e familiar, sem contar o seu próprio enriquecimento espiritual, com tudo o que ali está escrito. Seja cristão de qualquer denominação, seja judeu ou mesmo ateu ou agnóstico, ali tem conteúdo válido, capacitado a expandir as ideias e, num processo de associação, otimizá-las a pleno contento.

      O segredo consiste em beber a taça inteira, com espírito sereno, principalmente sentindo o sabor das palavras ali expostas que, concluo, não fazem média com ninguém. Se alguém quiser escrever um outro livro para concorrer com as ideias bíblicas, para obter credibilidade deve estar no topo da lista por seis mil anos...Não custa tentar...

       
  
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