04/10/2011 - DO CADERNO G

04 DE OUTUBRO DE 2011 -
 DO CADERNO G







Outra noite vem...
Dentro dela  guardo
o silêncio dos teus passos.

Daqui a pouco também
à noite de luz avara
ao sono entrego  meus braços.


Quando a aurora enfim surgir
Tão só fará ainda mais clara
Esta solidão que vem
E teima em não partir.




31/10/2010 - DO CADERNO G

CADERNO G - 31 DE OUTUBRO DE 2010





A  nossa vida, para ser feliz, não precisa ser diferente.
 Aonde estamos é o lugar certo.
As pessoas com quem convivemos são as nossas pessoas. 
A profissão que exercemos
é aquilo que de melhor podemos oferecer ao mundo.

A nossa  vida é o que é,
de nós depende fazê-la ao feitio 
do idealizado.
As pessoas são o que são;
Depende de nós
o fazê-las melhores
a partir do que com elas 
e por elas fizermos.

CADERNO G - 18/11/2009

DO MEU DIÁRIO DE 18 DE NOVEMBRO DE 2009
QUARTA-FEIRA - 23:00

São 23 horas. Os motores rangem nervosos na rodovia próxima e são audíveis, também, alguns veículos mais escandalosos, que passam na rodovia SP 270, um pouco mais distante, mas em linha reta não tão longe.

Já caiu uma chuva no entardecer de hoje. O céu se derramou sobre o nosso pedaço até por volta das 20 h. Uma chuva que lavou a alma da cidade, mas sem causar qualquer apreensão, mesmo nos mais temerosos a tempestades.

A nota triste que pautou o dia foi o falecimento do Prof. Jairo Giacomini, a quem meu filho chamava, com justa razão, de mestre. Ministrava aulas de física e matemática na ETEL, uma escola de eletrônica que é modelo em todo o Brasil e com vários de seus alunos, nela formados, a se revelar grandes profissionais mundo afora.

Diante desse mistério insondável da desencarnação, ainda que anunciada no caso do professor Jairo, por conta de um pertinaz câncer na próstata, não deixa de se traduzir em grande abalo na rotina da nossa pequena cidade.

Ante o sofrimento, a via dolorosa em que se resume tal enfermidade, obviamente mestre Jairo descansou desta via crucis. Por outro lado, nosso  egoísmo, decorrente de nossa limitação de  sentido espiritual pleno, nos insinua uma enorme sensação de vazio.  É uma perda dolorosa, que se sente e não se explica, e ainda que explicada, não deixa de nos doer bem fundo na alma.

Todavia, as lições que ele deixa, como professor e como pessoa, anda permanecerão perpetuando seus frutos de conhecimento, como poucos mestres são capazes de oferecer aos seus pupilos.

PÉTALAS DE ETERNIDADE II






Do livro em preparo

PÉTALAS DE ETERNIDADE

Não  peça a Deus 
para arrancar de seu coração
a cobiça, a soberba, a avareza, os vícios seus,
por que Deus
Em tais coisas jamais porá a mão.

(GeGê)

Ipaussu, Estado de São Paulo, Brasil
20/05/2013

PÉTALAS DE ETERNIDADE 1





DO LIVRO EM PREPARO,
PÉTALAS DE ETERNIDADE 



Se  seus inimigos insistem
desaforadamente em prejudicá-lo,
por desaforo, ame-os:
eles não resistirão sequer à primeira dose.

(GeGê)

Ipaussu, SP, Brasil, - 20/05/2013

CADERNO G - 2ª FEIRA - 16/11/2009

Diário de 16/11/2009

São 5:30 h deste horário de verão. O movimento na pista, pelo que apuro com o exclusivo sentido da audição, revela-se normal para este horário. Pelo que se ouve, passam a cada 4 ou 5 minutos. Não há estrelas sobre o céu negro. Ainda é noite para os galos em seu mutismo.

As chuvas de ontem foram abundantes, mas sem exageros dignos de nota. O céu protestou, sim, em trovoadas e raios, pelo que deduzo, pelo falecimento do amigo e vereador Mandi. Sua passagem para a espiritualidade em muito surpreendeu os seus amigos.

Ou, talvez, o céu alegrou-se em demasia com a chegada dele por lá, ao ponto de assustar a cidade com uma tempestade, ainda que breve. Mandi deve ter entrado para o céu muito depressa, pois a vida inteira cuidou em ser bom e solidário às pessoas à sua volta.

Mais um dia desponta, com mechas douradas por entre as nuvens. Até que enfim o galo vizinho, agora, insiste em repetir que mais uma vez a vida acordou em Ipaussu.



DO CADERNO G - 14 e 15/11/2009

14 de novembro de 2009. - Sábado

São 4 horas da manhã. Faço uma hora de acordado, à espera do filho Gabriel (17 anos) que foi para o Motofest e até o momento não deu o ar da graça. Pelo que ouço  daqui, a quase 1 km de distância, a festa ainda ferve.

A madrugada, por conta da espera, empacou aqui na área da cozinha. Um vento tímido, de vez em quando, agita as folhagens do arvoredo no quintal vizinho. Até o momento o galo ainda não cantou. Sem necessidade de apurar os ouvidos, dá para se ouvir motores a impulsionar rodas e vidas pela rodovia próxima.

O canto de um galo longínquo se antecipa à orquestra dos pássaros que, daqui a pouco começa uma saudação ao novo dia. Que bela e sábia decisão das aves: abrir o dia com seus cantos.

15 de novembro de 2009 - Domingo

Ao quase turvar da tarde de ontem, 14, o céu prometeu mas não cumpriu a chuva. Agora se ouve o ribombar de trovões, sequentes e insistentes, mas que parecem acontecer muito ao longe. Neste momento também uma sinfonia de motores acusa a passagem de veículos pela rodovia.

De qualquer modo há um fundo de silêncio na pele da noite trêmula por ruídos difusos. Excepcionalmente, pouquíssimos latidos violam a solidão desta madrugada. 


PENSAMENTO IMORTAL 67


POR MAIS QUE VOCÊ 
 JULGUE SER
QUALQUER UM, VOCE  É TÃO IMPORTANTE QUANTO 
QUALQUER OUTRO.

IGUALDADE INDISCUTÍVEL

O caminho é o mesmo
nesta  mesma viagem.
O outro caminhante,
sob chuva ou pó,
Em busca de estalagem,
pelo destino a esmo,
 é tão só 
você mesmo,
numa outra embalagem.


PENSAMENTO IMORTAL 22



Quem suga o sangue dos outros, 
sem ter a habilidade natural do vampiro,
 acaba morrendo de choque anafilático. 

O que é alheio sempre causa rejeição.

PENSAMENTOS IMORTAIS 25



Quem vive do suor alheio pode morrer por falta de 

transpiração.

Caro Colega Escritor,

Tudo o que vi de mais longe e mais alto na Literatura, foi apoiado em ombros de gigantes. Dos autores clássicos aos atuais. Por mais longe que meus olhos hajam alcançado, espero que você, com seu dom e prática, extrapole os horizontes que divisei na busca deste argumento.

Boa SortE

geraldo peres Generoso

SEGREDOS CRIATIVOS EM LETRAS

Um alô aos amigos...que aumentam a cada dia !



Tive a grata satisfação de escrever o livro "SEGREDOS DA ATIVIDADE LITERÁRIA", e o mesmo tem alcançado boa apreciação da crítica e dos leitores em geral, afeitos à arte de escrever. Não se trata de um livro de Redação, mas do dia a dia de um autor, suas dificuldades e suas possibilidades e a forma de facilitar o seu trabalho e desenvolver a própria inspiração.
  
         A edição de que dispunha já se esgotou, mas o mesmo se encontra ao alcance de um clique no link
http://www.agbook.com.br/book/24356--Segredo_da_Atividade_Literaria

       Obrigado pela visita.  Espero que entrem em Comentários e deixem suas impressões. Ou mesmo sugiram temas que sejam do agrado particular de cada um. Não tem havido tempo disponível para estar aqui por mais tempo, mas espero me organizar para estar cada vez mais frequente, em atenção aos seus interesses. Além do Brasil, que naturalmente é de onde vem mais acessos, hoje a campeã foi a França.
     O segredo pode chegar lá. Basta acessar o link, ler e dar sua nota.
     Até de repente, com muita gratidão e alegria.
      Geraldo Generoso

DEIXE DEUS FAZER O MILAGRE


 
Este blog já vai avançado em número de acessos. Ainda que quantidade pouco signifique e, até mesmo porque, o assunto que enfoco não visa grande público. Priorizo mais o efeito que possa gerar a partir das mensagem aqui postadas.

      Em nossa vida, sejamos sinceros, muitas vezes Deus parece estar surdo aos nossos apelos.  Em nossa veemência em clamar, esquecemo-nos de que não somos nós que mudamos a água em vinho ou multiplicamos pães e peixes quando as multidões se nos  apresentam famintas ante nossa presença.

    Jesus Cristo foi bem claro ao afirmar “Por mim mesmo, nada posso fazer, senão o Pai que está em mim”. Mas o nosso desespero (às vezes até compreensível, mas sempre ineficaz) nos leva a tentar, com palavras  - e lágrimas até -, tentar mudar a disposição de Deus, a vontade divina, que sempre tem o melhor para cada um de nós.

    O segredo reside exatamente na atitude oposta. Ocorre que, numa prece sincera, de humildade e busca pelo Altíssimo, a pessoa consegue modificar a si mesma. Obtém a Graça através de uma sintonia, em seu próprio interior, com a Onipresença, Onisciência e Onipotência do Criador.

   É isso exatamente o que ocorre nesse processo de oração e apelo aos céus. Mas que, conforme disse Jesus Cristo: “Vós sois deuses”. Claro que deuses minúsculos, mas infalível e inevitavelmente conectados com a Divindade Infinita.

    Particularmente, as demonstrações que tenho obtido – algumas até inacreditáveis – partiram do princípio de que o melhor que poderia fazer era me apresentar a Deus em silêncio. A Palavra que constrói, modifica e ressuscita os mortos não é minha, é Dele.

     Assim, caro internauta, seja você de que religião for, ou mesmo que seja um ateu – desde que não seja blasfemo - , você pode se conectar com o Infinito. Encontrar a mão de Deus sempre estendida para recebê-lo como um produto Dele, pelo qual Ele se responsabiliza.

     Os tempos estão chegando e mais pessoas do que a gente supõe estão a buscar Deus de uma maneira correta. Deste modo aqui exposto. Por que você não faz uma tentativa diferente em seu modo de orar ao Deus de seu coração?

    Experimente e verá e depois deixe o seu comentário. Também quero estender um grande abraço aos turcos, ou mesmo talvez brasileiros radicados na Turquia, que muito tem prestigiado estes Alfarrábios despretensiosos, mas que já está no coração de pessoas de todos os continentes. 

    Vamos apenas, dora em diante, apenas nos apresentarmos ao Poder Supremo e deixar que Ele faça em nós o milagre da transformação do que almejamos para aquilo que para nós Ele reservou, obviamente de forma maior e melhor.

     Deixo-os as palavras do Maior dos Mestres, que assim gostava de saudar as pessoas:

QUE A PAZ SEJA CONVOSCO.

ESTOU COM FOME...Graças a Deus


ESTOU COM FOME...GRAÇAS A DEUS

A Sexta-feira Santa, ou Sexta-Feira Maior (como diziam os mais antigos), escoa davagar aqui na minha paisagem, de poucos passantes. Até os pássaros estão silenciosos na tarde morna, preguiçosa e desanimada, como que vencida pela quietude imóvel deste nosso recanto.

          A esta altura do calendário, neste dia que assinala, não a covardia de um Homem frente ao mais duradouro e guerreiro de quantos Impérios já houve no mundo, mas sublima a Sua coragem quando, em gesto extremo de heroísmo, que o martírio coroou há mais de 2000 anos, preferiu fisicamente morrer e – pior que isso – ser torturado ao extremo, sem abdicar do que acreditou ser verdade.

          Não há como não rememorar essa Pessoa, inigualável mesmo perante os maiores mestres, ou que assim são titulados, ao longo da História. Todos passaram muito longe Desse que, ao feitio do verdadeiro pastor “deu a vida por Suas ovelhas”.

          Hoje vivemos tempos complexos. Fáceis sob muitos aspectos e difíceis por outros ângulos. E isto para a maioria dos 7 bilhões de habitantes de um planeta nervoso, com guerras de vários tipos em vários pontos do globo.

Guerra urbana nas capitais e grandes centros, onde se mata por coisas que nem de longe se comparam ao valor de uma vida. Filhos matam pais e vice-versa. É preciso manter muita sintonia com Deus para não se perder por completo a esperança e o ânimo por esta existência passageira.

          Aqui em meu reduto, silenciosamente contemplo o que me parece uma hipnose coletiva a que o consumismo conseguiu impor a tantas pessoas, até mesmo às nossas crianças e jovens, num mundo de excessos e de carências condutoras às mais estranhas e inéditas loucuras.

          A humanidade toda, cada um de nós, indivíduos habitantes deste mundo que continua sendo de Adão – ouvinte assíduo da serpente – sentimos uma fome que nos corrói. E a cujo apetite nunca saciamos porque o confundimos com a verdadeira fome que se aloja em nossas Almas

          Somos useiros de fazer difíceis as coisas fáceis. Aprendemos, por esnobismo, a pensar em soluções que não sejam simples, porque as tachamos de simplistas. No meu tempo havia o mundo do cinema, com suas vitrinas de ilusões deslumbrantes. Até nos trazia felicidade viver tudo aquilo que nem de longe existia na realidade.

          Hoje o cinema invadiu a nossa casa, com televisão aberta e a cabo. Internet que nos pluga com  o mundo em segundos, nem sempre para ver o que nos delicie e conforte o mais fundo da alma.

          Atrizes  maravilhosas que, no reduto mais íntimo de seus aposentos, mergulhavam na mais escura depressão. Barbitúricos era o remédio. Claro que se tratava do remédio errado, como muitas vezes, diariamente, distraidamente ingerimos à busca de preencher nosso íntimo com o que não existe, e por isso nunca nos preenchemos.

          Toda esta fome que nos devasta só pode ser saciada quando encontrarmos o verdadeiro alimento pelo qual nossa Alma anseia desde antes que Adão e Eva existissem.
          É a fome por Deus que nos assola. Ela não nos mata, porque em si mesma contém, mais do que uma esperança, uma certeza, de que esse alimento eterno um dia nos preencherá e nos moverá para a vida e a ventura verdadeiras aonde quer que estejamos.

          Por que a religião não se atém, pura e simplesmente, a preparar e treinar as pessoas para captar a essência de Deus em si mesmas? Porque por nós mesmos, todas essas palavras bonitas: amor, perdão, fé...todas elas não pertencem à nossa mera dimensão humana, se Deus não as instiliar em nosso âmago.

          Arremato com um princípio bíblico, de Corintos, 2, cap. 1, Versículo 9:
9 Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

Nota do Editor do Blog: Estamos quase próximos de completar 300 inserções nestes Blog. Ele ficará disponível, mas passaremos para outro, o qual será de caráter mais reservado, somente aberto aos que se inscreverem com o endereço eletrônico, os quais receberão uma carta semanal. É que os assuntos são bastante polêmicos, em matéria teológica e filosófica, que preferimos adotar esse critério no blog por vir.

AMOR DO CÉU E DA TERRA

Há circunstâncias realmente inexplicáveis neste nosso viver no mundo. Tudo o que pode ser dito pode ser contradito, porque em tudo prevalece a média, o meio termo, virtude com a qual a maioria de nós  não se afiniza.

A religião - no momento vejo (de relance, porque não dou meu tempo para assistir o que já sei de cor ) a eleição do novo papa da Igreja Católica. Num mundo em que tudo se torna laico, vejo cada vez mais tênue o poder religioso para direcionar a humanidade. Poder ou suposto poder, já que nos dias atuais, há um iluminismo tão grande que, se a Era dos Iluministas que fizeram eclodir a revolução francesa ainda estava no tempo dos lampeões, hoje tudo se clareia à luz do próprio sol.

Na oportunidade, intento ser o mais objetivo possível, não só com vistas a não ferir susceptibilidades e crenças - algo muito delicado e pessoal -, como para retratar a real situação em que nos encontramos em matéria de cultivo da elevação espiritual para uma vida melhor.

Enquanto não chegarmos à conscientização, à certeza interior de que "por nós mesmos e de nós mesmos nada podemos fazer" - continuaremos a nos debater às cegas quanto às prescrições que nos passam os líderes espirituais das várias (e a cada dia em maior número) denominações religiosas.

Haja vista para, em respeito a este espaço e ao tempo de meus leitores, a apregoação de que o correto é amar os inimigos. De pronto isto soa como um contrassenso. E não estão sem razão os ateus e os menos afeitos à leitura dos textos sagrados. Tal atitude soa utópica e irrealizável, até porque na batalha da vida, como ouvi em diálogo de um filme, "o primeiro dever do soldado é manter-se vivo".

Aí podemos chegar ao amor de mãe, cantado em verso e prosa. Que me desculpem os mais poéticos - e como é bela a poesia dessas almas -, mas esse afeto se funda no instinto. E a charada é resolvida de chofre porque as fêmeas, entre todo o reino animal, também amam suas crias incondicionalmente. Não significa subestimar esse tipo sublime de amor, que por certo também vem de Deus, como tudo Dele provém, manifesto na Natureza.

Mas a única possibilidade de se "amar aos inimigos e orar pelos que nos perseguem", como apregoa o evangelho cristão, inspirador de grandes almas, é somente quando, antes disso, a pessoa se dá, em sua busca espiritual legítima, verdadeira e sem fiascos ou hipocrisias, entregar-se ao Criador para que Ele faça essa transformação de ódio em amor.

Em nossa natureza interior, Deus já está presente em nosso íntimo, conforme preconizou Jesus Cristo, quando acusado pelos fariseus, de se proclamar divino, ao afirmar "EU E O PAI SOMOS UM", ao dizer com todas as letras: ´'VÓS SOIS DEUSES".

Portanto, hoje, quando há tantos e frequentes desentendimentos nas famílias, em que filhos chegam ao cúmulo de matar os próprios pais (e o mundo sempre teve essas barbáries), não é de se estranhar que só o instinto é insuficiente para nos guiar pelas melhores vias da existência.

É preciso deixar o Altíssimo entrar em nossas vidas, tomar assento e nos direcionar pela maneira certa, em direção ao céu, que é o nosso verdadeiro lugar. E que pode mesmo, este lugar, aqui e agora, ser esse céu que se busca tanto, por um anseio do mais fundo da alma, e que não encontramos em parte alguma, em instituição alguma e em lugar algum, senão a partir de nós mesmos.


DO CADERNO G - 2009, 13 DE NOVEMBRO

Sexta-feira, 13 de novembro de 2009, 04:10 h da madrugada.

Apercebo o vento em seu  murmúrio ranzinza sobre o arvoredo. Uma onda de frescor faz por merecer o nome de friagem.  Ora mais, ora menos ruidosa, a ventania insiste seu passeio em direção à Vila Nova. A madrugada ainda se mantém noite, com o ruído espaçado de motores, que se coloca numa oitava abaixo do rosnado do vendaval.

    Hoje, o ladrar dos cães é muito pouco presente nas proximidades. Mas alguns galos já  anunciam, pressurosos   o dia que vai nascer. 
    ..................................................................
   Faltam alguns minutos para as 6 horas. Agora os motores roncam constantes na rodovia. É a melodia de máquinas com diferentes tons e timbres. Já o galo do vizinho entoa sua canção matinal, na mesma pauta de um cachorro em intermitentes latidos.

   A nesga de céu que avisto daqui da varanda, tanto quanto o arvoredo vizinho  permite - é de um aço opaco, em denúncia explícita de um dia encoberto. 
   O vento acalmou-se. A temperatura é fresca e suave. O fato de ser hoje uma sexta-feira se traduz numa expectativa do sábado que se aproxima, e depois o domingo, que nos desacorrenta dos relógios e dos compromissos.

2009 - CADERNO G (8.11.2009)



03:25 H da madrugada de 8 de novembro de 2009

A chuva se mantém estável. Líquida e certa sobre o quintal,em suave carícia sobre as plantas e à agradecida jabuticabeira. Continua intermitente.

O vento estapeia as bananeiras do terreno vizinho e esconde a mão.
Tentei conciliar o sono, mas lembranças de um personagem, ainda que em nada incômodas, insistiram em tirar do leito para o registro deste dia. Ou melhor, desta madrugada.

Desfilou por minha memória a figura de um ente muito querido e que sempre se faz presente no melhor das minhas recordações. Um tio de meu avô, o Tio-bisavô, Joaquim Caldeirão, desencarnado em 14 de outubro de 1959. Há exatos 50 anos (meio século) sua figura ainda não se apagou de minhas recordações. Não apagou até agora, não apagará nunca...

Mentira que o tempo encobre, anula, mata e sepulta a tudo e a todos. Imagino que nem ele saiba o quanto sua presença foi importante em minha infância lá na roça. Naquela vida de poucos atrativos, comparados aos da cidade.

Já entrado em idade avançada - (naquele tempo se envelhecia mais cedo) - mesmo sem ser letrado, ainda assim ele se fez inesquecível para toda a família e, em especial, para este que ora lhes escreve.

Ele me ensinou amar a vida, na certeza de que não são as coisas materiais que contam ponto no que se pode chamar de riqueza verdadeira.
Dias antes de partir para o derradeiro pouso, recomendou aos meus avós que me destinassem o seu arreio (tipo basto), praticamente o único bem do qual podia dizer-se dono.
Mas, o seu exemplo de coragem, retidão e amor pela vida, essa herança não tem preço, e me permitiu, em momentos difíceis, lá uma vez ou outra, sentir por perto a presença dele, como um fantasma amigo, que não me assusta, mas persiste no seu encanto até quando eu também me encantar no seio da eternidade.

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