VAMOS PRENDER OS PATOS

Uma crônica de Geraldo Machado
H
á tempos, dando rédea solta à imaginação, passei em revista um rol de pessoas com as quais vizinhei, sem me preocupar com aquelas outras que moraram na minha propriedade, de mais viva recordação, dada a conveniência do dia a dia.

             São lembranças que ficaram da minha vida na lavoura, toda ela vivida com intensidade e dedicação. Hoje em dia, após a lição do humanista de Bilbao, José Ortega Y Gasset, que: “o homem não possui natureza, o que ele possui é...história”, deixei a “natureza” e passei a contar histórias. Como eu vivo aconselhado, e tem dado certo, quis abrigar-me, nesta idade de reflexões e genuflexões, “sob a sombra da faia”, como recomendava o poeta Virgílio, nas “Bucólicas”.

A ÚLTIMA FESTA DO MILHO VERDE

 Ana , cuja idade já  estava quase a  balzaquear, cedo na vida se preparou para a própria independência financeira. Sacrificando a magra mesada, contando com o apoio de amigos e parentes, a custo conseguiu montar um salão de beleza.

Certa tarde, com a cabeça cheia pelos relatos de tantos dramas e fofocas de seu polivalente estabelecimento de estética feminina, autêntico receptáculo de futilidades do sexo frágil, o sábado transcorrera idêntico aos demais no calendário da cidade pequena. Cansada, sem ânimo sequer  para uma volta pela praça, pois tanto a volta quanto  a praça seriam as mesmas de sempre, foi que resolveu quebrar a rotina. Ipaussu, passara a ser para ela mesmice de sempre: muito rabo-de-saia e homens cada vez em menor número. A disputa por um namorado era acirrada entre as casadouras. A concorrência aguerrida nesse mister, na maioria das vezes, acontecia de forma desleal.

A RESPOSTA DO PADRE JOÃOZINHO



Pois é, tive um amigo, o Padre Joãozinho - por sinal primo segundo de minha ex-mulher, que era um barato. Eu coloquei essa questão de como ele ministrava curso para noivos e desenvolveu uma sólida consultoria sobre casais, sendo celibatário por determinação eclesiástica.

 Ele me respondeu com seu jeito maroto: "Escuta aqui, o pianista nem sempre sabe afinar o piano. Eu, no caso (afinador) sei o que faço quando aconselho."

NOVA TESE SOBRE VELHOS TEMAS


A PRIMEIRA PONTE DA (PRÉ) HISTÓRIA

Os homens primitivos, talvez tenham levado mais tempo para construir pontes por duas razões hipoteticamente plausíveis. Primeiro, as crianças desses nossos remotos avós,  praticamente,  nasciam nadando. É o que aconteceria até hoje, com grande prejuízo para as academias de natação, acaso algum instrutor pré-histórico houvesse por bem fundar esse tipo de negócio. Para que pontes?   Hábeis nadadores, varavam em grupo, de uma margem à outra sem nenhum problema.. Até  a criançada acompanhava. Não havia, como hoje, tantos medos que a civilização nos trouxe com relação ao precioso líquido e seus derivados. Sim, o dilúvio foi literalmente  um deus-nos-acuda. As tsunamis fecharam o ano de 2004  com grande saldo de mortos em uma dúzia de países, a partir da Tailândia.

O PAI DO FILHO PRÓDIGO


Geraldo Generoso

Ele escolheu  o entardecer para partir definitivamente. O céu cinzento aspergia uma garoa fina e insistente sobre a nossa vetusta e acostumada casa. Tomando de uma corrente,  ainda o vi  prender o cão, insistente em acompanhá-lo como de costume. Conforme anunciara pela manhã, dali por diante – segundo suas próprias palavras – folgar-me-ia de  todo e qualquer cuidado para consigo. E para demonstrar firmeza nessa decisão, requereu-me a parte que lhe cabia por herança.

Estendeu a mão de forma arredia. Embora tentasse ostentar indiferença, percebi em seus olhos o ensaio de uma lágrima a custo contida.

ESTE É UM IPAUÇUENSE DE CORAÇÃO

BIOGRAFIA DE RAMIRO GONÇALVES

Reza uma antiga lenda, dos primórdios deste rincão do Paranapanema, conforme registro oral colhido na tradição pelo  Dr.José Roberto de Oliveira, neto mais novo do nosso fundador, bandeirante João Antonio Justino – apodado  João dos Santos que, em suas tratativas com os índios Coroados, manteve diálogos constantes com o chefe da tribo local, o cacique e feiticeiro, o qual era chamado de  Ipaussu.

A NOVELA DA CRACOLÂNDIA

Viciados expulsos da Cracolândia deixam recado para a cidade
  Geraldo Generoso

O melhor das novelas da televisão são os desfechos. O bandido (ou bandida, olha aí o respeito à igualdade de gênero) acaba na cadeia ou no velório. O telespectador respira aliviado, satisfeito como  um onanista, comenta o final da trama e vai dormir tranquilo.
              Curiosamente, tudo se resolve no mundo ideal da fantasia, regada a polpudas verbas publicitárias, sem contar os encartes de merchandising onde, por calculada coincidência, se agrada (ou tapeia) o telespectador e ao mesmo tempo fatura um bom dinheiro.

TEXTO DO PROF. PEDRO LEME BRISOLLA SOBRINHO

TEXTO DO PROF. PEDRO LEME BRISOLLA SOBRINHO - DE 1923
           
       O Professor Pedro Brisolla, merecidamente dá o nome á ETE - Escola Técnica de Ipaussu, da Fundação Paula Souza, e é uma referência regional, pois recebe alunos de várias cidades vizinhas, assim como estudantes de lugares longínquos fixam residência na cidade para frequentar os variados cursos que essa instituição de ensino oferece.

CARTA SEMANAL AOS ESCRINAUTAS


Sem prejuízo da modéstia, tenho encontrado caloroso apoio dos internautas, quer nesse portal específico, quer em outros sítios onde participo. Ao longo da trajetória percorrida, de 41 anos como militante em comunicação, li e reli ensaios, livros, grandes compêndios e exaustivas monografias, escritas por doutores, pós-doutores e mestres das mais diversas universidades do mundo. E notei, como ao leitor também pode ter ocorrido, que ao se tratar sobre o assunto ATIVIDADE LITERÁRIA, no que tange à criação, elaboração e dar ao texto um feitio palatável, os eruditos procuram – e conseguem – tornar difíceis as coisas fáceis.

PALAVRAS A UM VELHO POETA


Ele, pela vida inteira, fez e soube fazer como poucos, o uso da palavra, sempre enriquecendo-as com o melhor de sua pena. A palavra sempre lhe prestou  para abençoar ou amaldiçoar pessoas ou circunstâncias.
Não se sabe ao certo se o verbo, como munição de que sempre se valeram os poetas – na guerra e na paz da vida – se desgastou pelo uso. Ou pela própria sucessão implacável dos dias pontuados, em alternâncias de amor, dor ou indiferença.            

FRANGUINHO NA PANELA

Crítica de Música raíz:  
Canção de MOACIR DOS SANTOS e PARAÍSO



Sugestão: 
Assista este vídeo, com César e Paulinho e depois leia este comentário


Esta canção retrata  de corpo inteiro um tempo passado, mas não superado pelas imagens que sugere, da inocência e da beleza do campo. Parece que os autores mediram  cada palavra, como alguém que monta um relógio de precisão para marcar cada minuto de sua melodia. Compara o recanto onde mora a uma linda passarela. É nesse aconchego que ele vê a vida passar com uma rudeza materna. O cenário desperta com o canto do galo, postado à janela  abrindo o dia com o seu canto. Ao canto telúrico do “carijó”, juntam-se os acordes do sininho da capela, que se espraia nos arredores, para dizer que o céu manda mais um dia ao sertanejo.  

SE HOUVER AMANHÃ

Se no momento definitivo de devolver ao pó esta ferramenta que dele veio, assistido da necessária lucidez para reesquadrinhar um existir futuro, certamente eu haveria de estabelecer profundas mudanças no modo de usufruí-lo.
          Jamais reclamaria do tempo. Quando as nuvens vertessem do céu as lágrimas que o chão não sabe chorar em sua bruteza, eu apararia as mãos agradecidas pelo frescor da chuva. Jamais haveria de murmurar contra o rigor dos sóis arregalados de dezembro, a acrescentar mais luzes aos Natais que me fossem dados comemorar.

SALVE TIMBURI, A JANELA DO POENTE

De longa data o Município de Timburi tem em 24 de  outubro uma de suas efemérides mais importantes, a par com a data de   3 de maio, que assinala o Dia da Santa Cruz.
              Foi sob a senha e a sombra da cruz que Timburi, ainda em seu nascedouro, recebeu o nome de Santa Cruz do Palmital, tendo sido também chamada de Paraíso e, primeiramente, Retiro. Todos aqueles que lá nasceram  viveram,  e depois tomaram caminhos em direções diversas, sempre experimentam uma enorme saudade, como este escriba que nasceu junto com a emancipação da cidade e, quis o destino, que de lá saísse um dia, sem saber talvez que traria sempre no peito as imagens da terra e da gente timburiense. Esta saudade se mistura com um orgulho sempre presente  de, transcorridos tantos anos, continuar a entender o idioma da gente de Timburi. Assuntos não faltam quando aqui aportavam os irmãos Minozzi – Maurício, Ademir e a irmã,  dedicados amigos que não perdem nosso endereço. E assim outros que lá viveram e adotaram aquela terra e aqueles céus de placidez inaudita, hão de levar nas retinas a imagem da beleza e singeleza que só Timburi sabe ter.

 

REENGENHARIA DO CASAMENTO

Geraldo Generoso


No palco mais estreito do seio doméstico é que as pessoas exercitam o casamento, num script de êxito, alternando-se em êxitos e fracassos. Casamento significa união. Ela só se processa, terminantemente, quando existe harmonia. Fora disso só resta o auto-engano de uma convivência frustrada e, porque mentirosa, apresenta-se à sociedade sob o disfarce imperdoável da hipocrisia.

INIMIGAS DAS IDÉIAS

Uma idéia de nada serve enquanto não for aplicada.  Para que um plano ou  idéia se viabilize há a necessidade de ser admitida, adotada e aprovada Por isso, se você tem uma idéia,  ela precisa ser comunicada a outras pessoas do seu grupo, ou ao grupo que possa implementá-la. A reação é difícil de ser prevista, pois pode ser recebida com aplausos ou com descrença, até mesmo com um sorriso de escárnio e ameaça de uma camisa de força para enviá-lo ao primeiro hospício de plantão.

OTÁVIO: AS COMPORTAS DA SUA POESIA



Conforme observei sobre o meu amigo poeta, irmão Otávio Bueno da  Fonseca – de Piraju, do Brasil e do mundo, ele mantém um senso crítico afiado como uma navalha daqueles barbeiros antigos. Curiosamente, ele redige com rapidez, as palavras pulam de seus dedos como que dotadas de molas e até descem para o papel num vôo trêmulo como asas de borboletas.

TINOCO: O GUERREIRO SEM DESCANSO

* Geraldo Generoso

O município paulista de São Manuel, na região central do Estado ostenta, como pórtico  de entrada principal, o  Memorial TONICO e TINOCO. Um monumento edificado ao tempo que ainda estava fisicamente entre seus milhões de fãs, o  João Salvador Perez (o Tonico) . É um tributo à dupla Coração do Brasil, continuamente reconhecido pelos moradores, que não escondem o orgulho de serem conterrâneos desses dois vultos  históricos. Distante uns 4 km está a pequena cidade de Pratânia,  onde se vê o casebre transladado e onde a prefeitura construiu  um museu e espaço reservado com as maiores recordações dos ilustres filhos daquele pedaço do Estado de São Paulo: roupas usadas em shows, o famoso violão branco do  Tonico , e a não menos famosa  viola branca  do Tinoco. Muitas fotos e cartazes alusivos a muitas apresentações.

CRIAÇÃO LITERÁRIA

Conciliação entre Ímpulso e Maestria

O presente texto pode ser denominado de espontâneo e improvisado. Surgiu de um diálogo com um escritor, meu amigo Otávio Bueno da Fonseca, de Piraju, há pouco, em um telefonema. Assim como há tipos os mais deversos de pessoas, inevitavelmente será difícil encontrar um escritor semelhante ao outro em seu processo criativo.

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